Quase um em cada três jovens acha normal o controlo

Estudo sobre violência no namoro promovido pela UMAR revela que ainda há muito trabalho a fazer. A violência física vai perdendo expressão

14 Fev 2020 / 11:52 H.

Há ainda muito muita violência e muita desvalorização da violência no namoro e por isso ainda um longo caminho a percorrer na consciencialização desta problemática, conclui a UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta na sequência do estudo realizado a 454 jovens nas escolas sobre a violência no namoro. Os resultados revelam que houve uma diminuição da legitimação da violência no namoro, mas um aumento dos indicadores de vitimação em termos de violência sexual e física, que passaram de 3% para 9% no primeiro caso, e de 7% para 9% no segundo. A perseguição manteve-se nos 18%, comparativamente com os resultados de 2019. Apenas a violência psicológica diminuiu de 23% para 21% nestes indicadores.

Numa análise mais pormenorizada aos resultados deste ano, fruto da resposta aos questionários dadas por jovens entre os 11 e os 20 anos, o controlo surge na legitimação de violência no namoro como a forma de violência em média mais legitimada, com quase um terço dos inquiridos a aceitar. Logo no rasto vem a perseguição com 27%. A violência física é a forma menos aceite, com 9% em média. A violência através das redes sociais é vista como normal por 18%. Por sexo, são eles quem mais acha aceitável o controlo com 43%, assim como a perseguição e a violência sexual (38% e 32%).

Já nos indicadores de vitimação, as respostas foram dadas apenas pelos jovens que já estiveram numa relação (63% do total de participantes). Aqui a violência psicológica vem em primeiro lugar, com 21% de queixas, seguida novamente pelo controlo, que chegou a 20% e pela perseguição, que atingiu os 18%. Por sexo, são elas apresentam números superiores nos três principais indicadores - 27%, 25% e 19%, face a 16%, 15% e 16% dos rapazes.

Este estudo vem na continuidade dos que a UMAR vem realizando no âmbito do Art’themis, desenvolvido em parceria da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género da Secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, com o objectivo de alertar e consciencializar para as causas e consequências da violência de género e doméstica. Nas concussões, a associação reafirma a importância da prevenção primária da violência de género em contexto escolar ser desenvolvida de forma holística, sistemática e continuada. A integração deste estudo quantitativo em outros estudos qualitativos “é fundamental” para que melhor se compreendam as dinâmicas de violência juvenis nas relações de intimidade”, também é defendida.