PCP denuncia “fraudes no recurso ao lay-off”

04 Abr 2020 / 15:26 H.

Em comunicado dirigido este sábado (4 de Abril) à imprensa, o Coordenador Regional do PCP Madeira, serviu-se do exemplo da Empresa de Cervejas da Madeira para alertar para o “recurso indiscriminado e arbitrário ao lay-off”, por parte de “grandes empresas e grandes grupos económicos” com sede na Madeira.

“A Empresa de Cervejas da Madeira, uma das grandes empresas sedeadas na Região e com lucros desafogados, alega a necessidade de recorrer às verbas da Segurança Social para cumprir com as suas obrigações. Nas costas dos trabalhadores e do movimento sindical, surpreendentemente, a Empresa de Cervejas da Madeira revela um inaceitável aproveitamento oportunista do regime de lay-off (...) outros como o Grupo Pestana, o maior grupo hoteleiro do País, a Ibersol que explora as lojas do Aeroporto da Madeira e do Porto Santo, a Groundforce, a TRIAM, a Portway, a ANA, são algumas das grandes empresas dos aeroportos da Madeira e do Porto Santo que estão a contactar os seus trabalhadores para anunciar que vão para lay-off”, refere Edgar Silva.

“Para além do que toda esta situação comporta de ataque aos direitos dos trabalhadores, no que implica de corte significativo nos direitos remuneratórios de quem trabalha naquelas empresas, estaremos perante processos de prática oportunista do regime de lay-off”, sublinha o comunista.

“A denuncia é que, sendo evidente a situação excepcional que levou à perda de rendimentos de muitas empresas, nem todas estão em risco de insolvência pelas quebras que se antevêem. Pelo contrário, estão em causa empresas muito lucrativas que deveriam sacrificar parte dos seus lucros para contrariar as tendências recessivas decorrentes desta situação de pandemia”, sustenta o comunista, acrescentando que o “mesmo se passa com os grandes grupos hoteleiros, para além do Grupo Pestana, que ao longo dos últimos anos muito lucraram com a indesmentível expansão do crescimento do sector nesta Região”.

Situação esta que o PCP classifica de “escandalosa”, “pelo que implica de usurpação de dinheiros públicos”.