Paulo Neves acusa presidente da TAP de recorrer ao “humor negro” em assuntos que dizem respeito à Madeira

12 Set 2018 / 18:28 H.

O presidente do Conselho Executivo da TAP, Antonoaldo Neves, estará presente amanhã, em audição, na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas, encontro onde estará presente o deputado eleito pelo PSD-Madeira à Assembleia da República, Paulo Neves.

“Não podemos deixar passar em claro as declarações que foram feitas este fim-de-semana pelo presidente da TAP, na entrevista concedida ao Expresso, e que são absolutamente inaceitáveis e quase ofensivas, até mesmo ao Estado de Direito. O presidente de uma empresa que diz que mesmo que sejam alterados os limites do vento não os vai respeitar é quase ofensivo ao Estado de Direito, porque estamos a falar de reguladores e os reguladores estão acima das empresas”, avançou o social-democrata em declarações ao DIÁRIO, acrescentando que “o PSD a nível nacional adoptou esta questão da TAP em relação à Madeira como uma questão nacional” e por isso será o próprio que estará incumbido de presidir à abertura desta audição marcada para as 15 horas de amanhã.

“Depois a questão dos preços módicos, a expressão que ele utilizou é de um humor negro... Não percebi o que é que ele quer dizer com aquilo, mas é ofensivo, porque nós todos sabemos perfeitamente quanto é que pagamos em termos de passagens para ir à Madeira. Uma coisa é falar das médias das viagens, outra coisa é falar dos ‘picos’, que são absolutamente pornográficos em termos de preços, portanto são essas questão que vamos confrontar o presidente da TAP, que finalmente vem cá”, avançou Paulo Neves, esclarecendo que quando os deputados chamaram Antonoaldo Neves “há alguma tempo”, não faziam ideia de que este “iria acrescentar estas declarações, porque são duas coisas absolutamente arrepiantes”.

De acordo com o social-democrata, os representantes dos madeirenses e porto-santenses, na Assembleia da República, vão demonstrar o seu “profundo descontentamento por toda esta situação”, recorrendo novamente às declarações do presidente da TAP para exteriorizar os ânimos que se fazem sentir.

“Aquelas declarações não acalmaram, muito pelo contrário, vieram incendiar aquilo que já existia. Já não bastava o mau serviço, os cancelamentos, os preços das viagens... Se antes já se justificava a presença do presidente da TAP na Assembleia da República, então depois da entrevista justifica-se ainda mais”, aferiu Paulo Neves, olhando também para os Açores “que se queixam da TAP pelas mesmas razões” depois de terem “sofrido muito este Verão devido aos cancelamentos”.

Pedro Marques foi hoje confrontado

Já hoje, Paulo Neves classificou de “trapalhada” todo o processo em torno do concurso entre o Estado e a companhia aérea Binter, acusando o Governo da República de sucessivos adiamentos e atrasos em todo o processo do concurso.

O deputado madeirense responsabilizou a República pelos “sucessivos cancelamentos” ocorridos no Verão, nas ligações entre o Porto Santo e a Madeira, responsabilizando o Governo da República, na pessoa do ministro do Planeamento e Infra-estruturas, Pedro Marques, pelas várias situações ocorridas durante os últimos meses e que envolveram a TAP como “cancelamentos de voos, atrasos constantes, abandono de passageiros, falta de informação e preços inflaccionados das passagens aéreas”.

Recorde-se que os deputados eleitos pelo PSD-Madeira à Assembleia da República, durante o mês de Agosto, entregaram uma pergunta regimental exigindo explicações ao Governo Central sobre a situação que envolveu a Binter nas ligações ao Porto Santo, no Verão, e em relação à TAP. Para Paulo Neves “o Governo da República tem utilizado a questão da mobilidade como uma arma política contra o governo do PSD prejudicando todos os madeirenses e porto-santenses”.

Ainda nesta reunião da Comissão de Economia o deputado madeirense exigiu que o novo modelo de subsídio de mobilidade, aprovado na Assembleia da República, entre imediatamente em vigor para que os residentes só paguem o valor estabelecido e não tenham que adiantar o valor integral da passagem aérea.