“O PSD reivindica o título de campeão da autonomia e levanta o espantalho do inimigo externo para condicionar a oposição”

10 Nov 2018 / 17:21 H.

Decorre em Lisboa a XI convenção do Bloco de Esquerda. O BE-Madeira está representado com uma delegação de 35 aderentes. O coordenador regional, Paulino Ascenção foi o primeiro a intervir no debate.

O ‘bloquista’ disse que “a autonomia das ilhas foi uma conquista de Abril”, mas “na interpretação do PSD é um sucedâneo do separatismo, que foi artificial e foi uma reacção das elites protegidas de Salazar à ameaça de um regime comunista em Lisboa”.

“Esta é a linha de rumo do PSD, proteger a classe dominante herdeira do salazarismo e apoiar uma burguesia moderna”, referiu, acrescentando que “o PSD reivindica o título de campeão da autonomia e levanta o espantalho do inimigo externo para condicionar a oposição regional e ocultar os seus objectivos”.

Segundo Paulino Ascenção, “àconta das obras públicas e das concessões de serviços públicos uma nova classe empresarial domina a economia e a sociedade na Madeira”. De tal modo, continuou, “que se libertou do PSD e está em posição de escolher o partido que melhor condições lhe oferece”.

O BB defende “uma autonomia diferente, para o povo, emancipadora, que rompa com os históricos obscurantismo, miséria, com o fadário da emigração e que desmonte a ficção do inimigo externo”.

“Pela primeira vez há uma forte possibilidade do PSD perder o poder. Mas isso só não nos basta. Queremos uma ruptura com a o enfeudamento da política aos negócios”, referiu, frisando que “se um voto no BE ou no PS contam igual para derrotar o PSD, um voto no BE contam muito mais para um mudança efectiva de políticas”.

Segundo o ‘bloquista’, “o PS afigura-se como provável eixo do futuro governo mas os grupos económicos mostram-se confortáveis com esse cenário”.

“Preocupa-os é o cenário de um governo com influência do Bloco de Esquerda”, apontou, referindo que “é inevitável confrontar o PS com a insuficiência das suas propostas. E isso não beneficia o PSD, mostra sim a radicalidade das propostas do Bloco e a importância de termos força para impormos mudanças efectivas”.

Disse ainda que “quando o PS se encosta aos interesses dominantes, merece a nossa crítica. Quando ultrapassa o PSD pela direita ao cobrar a promessa do cheque cirurgia, merece a nossa crítica”.

“O que ajuda o PSD é embarcarmos na chantagem do inimigo externo, sem desmistificar que se trata de cortina de fumo para ocultar as políticas erradas que promove e a sua incompetência, ocultar o verdadeiro inimigo do Povo, que mora na Madeira e não em Lisboa”, acrescentou, afirmando que “o que ajuda o PSD é fazer coro nas reivindicações face a Lisboa e ao mesmo tempo fazer tábua rasa das responsabilidades da governação regional”.

Além disso, afirmou que “sair da ilha é um pesadelo, preços abusivos, cancelamentos ... a culpa é do PSD que escolheu liberalizar e acabou com o serviço público (e tem o apoio do PS, CDS, JPP)”.

“O PSD aponta o dedo à TAP. Mas esta só abusa porque o PSD criou as condições que lhe permitem abusar. O nosso alvo é o PSD é a liberalização, não é a TAP”, acrescentou, dizendo que “se não há um hospital em condições é porque o PSD não quis, desbaratou milhões em obras inúteis e deixou a saúde num caos. O que se nos exige é apontar estas responsabilidades do PSD e não protestar contra a República ao lado do PSD. É sermos oposição consistente ao Governo Regional”.

De acordo com Paulino Ascenção, “só o crescimento do Bloco permitirá a ruptura política necessária na Madeira. Isso viu-se esta semana no debate sobre as concessões de serviços públicos que o Bloco requereu”

“Os partidos à nossa direita – os quatro com maior representação parlamentar (PSD, CDS, JPP e PS) – não querem alterar o quadro em vigor”, sustentou, referindo que “o compromisso do Bloco é com a defesa intransigente do interesse público.

O reforço do Bloco é a garantia de mudança efectiva de políticas e não mera substituição de actores”.

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