Liliana Rodrigues apela ao voto para dizer “não” ao fascismo na Europa

21 Nov 2018 / 18:39 H.

A 3.ª edição do projecto IncluEuropa arrancou esta tarde, no auditório da reitoria da Universidade da Madeira, com a realização da 1.ª fase das “Olimpíadas da Europa”. A iniciativa contou com a participação de cerca de 300 alunos de 17 estabelecimentos de ensino da Região Autónoma da Madeira.

O Projecto “IncluEuropa” é uma parceria entre o gabinete da eurodeputada Liliana Rodrigues e a secretaria regional de Educação, através da Direcção Regional de Juventude e Desporto.

À 2.ª fase do concurso, que acontece a 6 de Fevereiro, passaram as escolas Básica e Secundária Gonçalves Zarco, Básica 123/PE de Santo António e do Curral das Freiras, da Apel; Básica e Secundária de Santa Cruz, Básica e Secundária de Machico e Básica e Secundária da Ponta do Sol. O vencedor da 2.ª fase ganhará uma visita ao Parlamento Europeu.

Na cerimónia de abertura, esta tarde, Liliana Rodrigues revelou que as duas equipas [gabinete da eurodeputada e secretaria regional] “trabalharam muito bem juntas”, salientando que o IncluEuropa é um projecto de sucesso: “Temos cerca de 300 alunos, é uma boa notícia para a Madeira. Significa que as escolas estão empenhadas em divulgar o projecto europeu e, acima de tudo, criar uma cidadania bem mais activa do que aquela que temos tido, particularmente no que diz respeito aos eleitores irem votar no dia das eleições”.

Votar para as Europeias é, aliás, um dos objectivos do concurso, mas não é o único: “É importante que os jovens se sintam integrados, que consigam divulgar o projecto europeu. Contamos com eles para garantir que o projecto da União Europeia, no seu todo, não se vai desfazendo aos poucos. A nossa grande vontade é combater tudo o que tenha a ver com nacionalismos, com populismos. E os jovens, melhor e mais do que ninguém, sabem o que é liberdade e preservam-na.”. Além do mais, acrescenta a eurodeputada ao Parlamento Europeu, “também pretendemos, através destes projectos, que levem a palavra aos adultos”.

A madeirense sublinha: “[O voltar de costas à UE] não é um problema exclusivamente dos jovens. Em geral, os europeus, seja de que país for, estão muito divorciados do projecto europeu. Alguns por desencanto, outros por falta de comunicação - inclusive dos políticos em relação a esse projecto. Até porque, por outro lado, há um trabalho muito minucioso do projecto europeu. Por exemplo, ontem, o orçamento da União Europeia não passou, não houve entendimento entre o Conselho e o Parlamento Europeu, mas isto não é dito cá para fora. As consequências disto são grandes. Naturalmente, agora o orçamento vai voltar à Comissão, mas a minha pergunta seria ´Quantos cidadãos europeus tiveram conhecimento disto?’. Há uma falha de comunicação, não podemos responsabilizar apenas as instituições europeias. Os media também têm um papel fundamental”.

Diz ainda Liliana Rodrigues: “O facto de termos um grupo nacionalista dentro do Parlamento Europeu é um sintoma disso. Esse grupo faz questão de dizer que o seu objectivo é destruir a UE. Dizem-no em pleno plenário. Há uma grande vontade por parte daqueles que são mais radicais, daqueles que não acreditam que a liberdade e a solidariedade são valores que nos unem e querem destruir o projecto europeu. Cabe-nos a nós, os que são moderados, e que acreditam que a solidariedade e o diálogo são as formas possíveis de entendimento entre diferentes povos, mas que têm muita coisa em comum. Nunca tivemos tanto tempo de paz na Europa como agora, nem tanto investimento europeu como neste mandato. E ainda assim ainda há gente com vontade de destruir a solidariedade entre os povos europeus”.

Para a eurodeputada, o mais importante agora é “haver um bom entendimento em relação ao próximo orçamento da UE”. E que “os cidadãos de toda a UE, e acredito que Portugal será um excelente exemplo, vão às urnas votar e dizer que não querem mais fascismo na Europa”.

Também Jorge Carvalho, secretário regional da Educação, falou na cerimónia desta tarde. E deixou várias ideias. Além de sublinhar que o IncluEuropa “ajuda a que os jovens contactem com os valores da Europa”, o governante lembrou os 70 anos da Declaração dos Direitos do Homem (1948), que se comemoram em 2018: “É importante os nossos jovens perceberem o quanto é relevante vivermos num espaço que cultiva a paz, a multiculturalidade e, acima de tudo, a cidadania participativa. É nesse sentido que procuramos desenvolver este concurso, que este ano conta com um número mais significativo de escolas”.

Para Jorge Carvalho, o projecto é um “contributo para que as novas gerações possam crescer com esta consciência e com a importância de cultivar estes valores. Mas, acima de tudo, de termos uma acção muito proactiva sobre a UE. Sobre a importância da mesma, não só daquilo que muitas das vezes é mais mediático, como os financiamentos e com os fundos comunitários”. Para o secretário regional, “a possibilidade dos nossos jovens poderem estar em mobilidade, sem barreiras, de poderem usufruir de programas europeus e de perceberem o quanto é importante estarmos neste espaço alargado de cerca de 500 milhões de pessoas que partilham os mesmos princípios”, é essencial.

Acrescenta: “Somos ilhéus e essa condição apresenta um conjunto de constrangimentos que nos deixa mais despertos para essa participação e para essa reivindicação”.

O prémio do IncluEuropa será atribuído no dia 18 de Março, numa cerimónia em que também será anunciado o vencedor do “Concurso de Curtas-Metragens”.

O projecto educativo pretende aproximar os estudantes da Região Autónoma da Madeira à União Europeia, através de dois concursos: as “Olimpíadas da Europa” e o “Concurso de Curtas-Metragens”.

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