Investigação de crimes de maus tratos a animais motiva buscas na Câmara da Calheta

GNR estará a recolher documentos relacionados com canil clandestino noticiado em Maio pelo DIÁRIO

22 Out 2018 / 12:31 H.

As buscas que a GNR está a efectuar na Câmara Municipal da Calheta estão relacionadas com a investigação de crimes de maus tratos a animais.

A informação foi apurada pelo DIÁRIO junto do Comando Territorial da GNR na Madeira. “A diligência surge no âmbito de um inquérito de maus tratos a animais”, confirmou o Major Pedro Barrete.

Os militares da GNR estão a efectuar buscas nos gabinetes administrativos das divisões e pelouros responsáveis pelo licenciamento e fiscalização das condições de detenção de animais de companhia.

O major da GNR referiu que a diligência visa sobretudo a recolha de prova documental que possa sustentar a prova da matéria em apreço. O inquérito está a ser conduzido pelo MP e teve origem ou numa queixa-crime ou num auto de notícia, acrescentou Pedro Barrete.

Recorde-se que a 3 de Maio de 2018, o DIÁRIO noticiou que a associação Ajuda a Alimentar Cães (AAC) resgatou oito cães que estavam em condições higieno-sanitárias bastante precárias, no edifício do antigo matadouro da Calheta, num espaço improvisado pelo Município que servia de acolhimento temporário para animais errantes. Os cães estavam infestados de parasitas e tinham água imprópria para consumo nos bebedouros.

A intervenção dos voluntários daquela associação de defesa do bem-estar animal surgiu na sequência de uma denuncia com fotos tiradas a um animal morto dentro de uma das jaulas. No local, testemunharam que os cães ali mantidos estavam doentes e eram mantidos em condições higiénico-sanitárias bastante precárias num espaço improvisado pelo município que servia de acolhimento temporário para errantes.

Em nenhuma das jaulas havia recipientes próprios para a comida. A ração era lançada ao chão, entre dejectos e urina. Para beber, os animais contavam com água esverdeada servida em baldes como documentam fotos e vídeos. O cheiro era insuportável.

A falta de um funcionário durante o dia era também notório e explicava, em boa parte, o problema. João Henriques Freitas, consultor jurídico e membro da Associação admitiu na altura ao DIÁRIO que estava a equacionar apresentar queixa-crime contra desconhecidos por maus-tratos a animais de companhia.

Todos os animais resgatados pela AAC foram levados para tratamento numa clínica veterinária e no Hospital Veterinário da Madeira.

Uma semana depois, o resgate dos animais e as condições em que estavam mantidos os cães no ‘canil ilegal’ do concelho foram abordados por membros da direcção da associação numa reunião mantida com o vereador Nuno Maciel, que tem o pelouro do Ambiente na Câmara Municipal da Calheta. O autarca prometeu regularizar a situação.

A falta de condições motivou queixa à Direcção Regional da Agricultura e, posteriormente, ao Ministério Público. O vídeo da acção de resgate dos animais foi partilhado na página no Facebook pela AAC no dia da publicação da notícia na edição impressa do DIÁRIO.

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