“Havia o risco do edifício ruir”

Protecção Civil justifica morosa operação de resgate da vítima, só concretizada passadas mais de dez horas

17 Fev 2019 / 01:58 H.

Poucos minutos faltavam para a meia-noite quando José Dias, presidente do Serviço Regional de Protecção Civil confirmava o óbito da jovem cozinheira.

Feito o anúncio oficial da “vítima mortal a lamentar”, José Dias justificou a morosa operação de localização e resgate da vítima, sublinhando que “a maior preocupação foi garantir a segurança dos operacionais” porque “havia o risco do edifício ruir” razão pela qual “foi tomada a decisão de fazer uma abordagem lateral com maquinaria pesada”, procedimento realizado depois de “aconselhamento da parte da engenharia”. A opção acabou por surtir rápido efeito, ‘antecipando’ o culminar da operação que parecia poder estender-se madrugada fora.

Ainda assim a vítima só viria a ser resgatada passadas mais de dez horas após o desabamento.

“Era uma operação bastante complicada devido ao material que caiu e perante as condições internas do edifício”, justificou. Essa foi a razão de ter sido necessário proceder à “estabilização do próprio edifício para que não houvesse mais vítimas a lamentar”, admitiu, referindo-se à intervenção dos operacionais.

Já Pedro Ramos, secretário com a tutela da Protecção Civil, garantiu que “todos os cuidados foram tomados” no que diz respeito ao apoio prestado pelo Governo em relação à família da vítima e aos moradores.

Por seu turno, Amílcar Gonçalves, secretário dos Equipamentos e Infra-estruturas, confirmou que o restaurante em acusa “nos próximos tempos não terá condições para estar aberto”. Quanto ao futuro daquele estabelecimento, admitiu ser uma “situação a estudar e estamos aqui para colaborar naquilo que for preciso”, disse.

Em relação à parte da escarpa sobranceira ao restaurante, admitiu “retomar a obra que ficou por fazer”, aludindo à intervenção ocorrida em 2012.

Intervenção que Carlos Teles, presidente da Câmara Municipal da Calheta, quer ver concretizada.

“Sempre me preocupou”, referindo-se à escarpa que “ao longo dos anos nos tem dado muitos problemas”. Lembrou que “já muitos estudos e projectos foram feitos” para concluir que “é preciso realmente fazer uma grande intervenção porque sem essa grande intervenção se calhar esta situação poderá se repetir”, admitiu.

O autarca calhetense destacou ainda o trabalho conjunto com o Governo Regional, dando ainda conta que “a primeira prioridade [da Câmara] é cuidar das famílias” e por isso foi empenhada a psicóloga da autarquia para “acompanhar a família da vítima”.

Acrescentou ter a mesma preocupação em relação aos desalojados, que para já têm alojamento provisório assegurando na Pousada da Juventude do concelho.

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