Greve dos enfermeiros adia cirurgias menos urgentes

10 Out 2018 / 11:36 H.

Começam hoje mais dois dias de greve dos enfermeiros em todo o país, incluindo na Região. Ao DIÁRIO, o presidente do Sindicato dos Enfermeiros da RAM (SERAM), um dos promotores da greve, avança que a paralisação já se faz sentir nos serviços do SESARAM. Juan Carvalho lembra que “a greve [que promovem] é exclusivamente do bloco operatório, da cirurgia ambulatória, daí que só tenha os números referentes a estes serviços”. Assim, durante a manhã desta quarta-feira, “não se realizou hoje nenhuma cirurgia ambulatória”, o que significa que neste serviços a adesão à greve está nos 100 por cento.

Já no Bloco Operatório, os serviços mínimos, obrigatórios por lei, estão garantidos: “Está uma equipa de urgência para os mínimos”, diz o enfermeiro. Também no serviço de cirurgia oncológica estão assegurados os serviços mínimos, com a equipa exigida para amparar os casos urgentes: “Para todas as situações de cancro que seja necessário urgência”. Neste momento, aliás, está a ser realizada uma cirurgia a um desses casos, esclarece. Juan Carvalho lembra que a lei prevê que os casos de cancro com grau 3 ou 4 têm de ser assistidos. Já “toda a restantes cirurgias que estavam programadas não se realizaram”.

A greve dos enfermeiros está marcada para estas quarta e quinta-feira: “O Ministério da Saúde apresentou uma proposta muito aquém das promessas assumidas em Outubro de 2017”, relativamente à revisão da carreira de enfermagem e actualização da grelha salarial. Para o passado dia 4 estava marcada uma reunião com os representantes da classe para discutir estes pontos, mas o Governo adiou para o dia 12: “Daí a luta de hoje e da próxima semana. A reunião de dia 12 vai ser muito importante”, porque dela dependerá a manutenção, ou não, da greve agendada para os dias 16, 17, 18 e 19 de Outubro.

Juan Carvalho lembra que, a uma semana do Governo da República entregar na Assembleia da República a proposta de lei do Orçamento de Estado para 2019, os enfermeiros não tem qualquer informação sobre o “impacto orçamental” do próximo ano em relação a estes profissionais nem se as “promessas feitas em Outubro de 2017” serão cumpridas.

A paralisação foi convocada por quatro sindicatos: Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) , Sindicato dos Enfermeiros da Madeira (SERAM) , Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (SINDEPOR) e Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE).

Para as 14 horas de hoje, está marcada uma concentração junto ao Hospital Dr. Nélio Mendonça.