Governo dos Açores confrontado com manifestação de docentes que recorrem ao exemplo da Madeira

11 Jul 2018 / 20:13 H.

O Governo dos Açores foi hoje confrontado com uma manifestação de cerca de 40 professores em Santa Cruz da Graciosa, reivindicando que o executivo faça uso da autonomia constitucional na recuperação do tempo de serviço.

“Na Região Autónoma da Madeira fizeram usufruto da sua autonomia e chegaram a um acordo para a recuperação integral do tempo de serviço e, nos Açores, continuamos à espera do que será decidido no continente”, declarou a porta-voz dos professores, Márcia Ferreira.

A professora de matemática manifestou o “descontentamento dos colegas que trabalharam muito mais do que estão a reconhecer” e afirmou que, contrariamente ao que afirma o secretário regional da Educação, os docentes dos Açores “não estão em vantagem” por terem recuperado dois anos de tempo de serviço.

“Como sempre, quando lhes convém vão à sombra do que vai ser decidido no continente. Ao menos na Madeira decidiram a favor dos seus professores”, disse a docente, que referiu não ter o executivo açoriano “neste momento, mais qualquer um argumento”.

Tal como hoje na ilha Graciosa, o titular da pasta da Educação, Avelino Menezes, foi confrontado a 3 de Julho com uma manifestação de várias dezenas de professores que o assobiaram à entrada da Escola Básica e Integrada dos Arrifes, no concelho de Ponta Delgada, ilha de São Miguel, onde foi assistir à apresentação do projecto base das novas instalações daquele estabelecimento de ensino.

O titular da pasta da Educação recordou que, na altura, em novembro de 2017, o Governo dos Açores assumiu perante os dois sindicatos representativos da classe na região que “seria aplicada a solução que viesse a ser encontrada a nível nacional”, na sequência das negociações entre o Governo da República e as forças sindicais.

O secretário regional adiantou que esta opção resulta do facto de o executivo açoriano estar “convictamente convencido que essa é uma boa garantia, das melhores de que os professores dos Açores ficarão numa posição de privilégio em relação aos colegas do continente” porque na região já se assistiu à recuperação de “mais de dois anos” de tempo de serviço entre 2015 e 2017.

À sua chegada ao estabelecimento de ensino de Santa Cruz da Graciosa, onde o executivo esteve disponível para ouvir a população, Avelino Menezes manifestou abertura para ouvir os professores, tendo afirmado que entende uma “parte substancial do descontentamento” dos docentes.