Electricidade de origem renovável na Madeira correspondeu a 29% da produção

15 Fev 2018 / 16:55 H.

A APREN - Associação de Energias Renováveis - revela que no primeiro mês de 2018, as centrais renováveis representaram 47,7 % do total da produção de electricidade de Portugal Continental e destaca a eólica (27,6%) como a tecnologia renovável que mais electricidade gerou neste período. O pico de produção renovável ocorreu no dia 28 de Janeiro, às 20h15, quando as centrais renováveis de Portugal Continental produziram 6.566 MW (94 % do consumo eléctrico de Portugal Continental.

Quanto à Madeira, no mix de produção elétrico da RAM de 2017, as tecnologias fósseis contribuíram com 71% (624 GWh) e as renováveis 29 % (254 GWh), destacando-se nesta última a eólica que representou 10,1%, seguida da hídrica. A tecnologia solar fotovoltaica e os resíduos sólidos urbanos tiveram um peso de 5,4 % e 3,8 %, respectivamente, na produção de electricidade da região.

Os dados revelados pela APREN traduzem uma ligeira redução do recurso renovável, perto de 2%, em relação a 2016, tendo a maior redução ocorrido na tecnologia hídrica, cerca de 19%, entre 2016 e 2017. Em 2016 as centrais hídricas do arquipélago geraram 105 GWh, enquanto em 2017 a hídrica gerou apenas 85 GWh.

Açores

Na região autónoma dos Açores, o mix eléctrico de 2017 foi marcado por uma predominância das fontes fósseis (63,4 % da produção, equivalente a 509 GWh). A electricidade de origem renovável correspondeu a 36,6 % ( 281 GWh) da produção, sendo que a tecnologia dominante foi a geotermia, gerando 24 % do total do mix açoriano, o que representa um acréscimo de 41 GWh em relação a 2016.

Tal acréscimo da produção eléctrica gerada nas centrais geotérmicas deveu-se, principalmente, à entrada em funcionamento da central geotérmica do Pico Alto, em agosto, localizada na ilha Terceira. Esta central tem uma potência de 4,5 MW e prevê-se que venha a suprir, só por si, 10 % das necessidades eléctricas da ilha Terceira em 2018.

Em 2017, no sistema electroprodutor açoriano, ainda se destaca a continuação da fase de testes do projecto Younicos, que ambiciona reduzir a produção eléctrica de origem fóssil da ilha Graciosa. Este projeto envolve uma gestão otimizada da energia eléctrica gerada por uma central eólica de 4,5 MW e uma central fotovoltaica com 1 MW por via de um sistema de baterias ião-lítio de 4 MW. Actualmente o consumo eléctrico da ilha Graciosa é abastecido na sua totalidade por uma central térmica a gasóleo de 4,7 MW.

No Território Continental, em janeiro é ainda de destacar um ligeiro aumento, em termos homólogos, do consumo eléctrico de Portugal Continental de 0,3 % (1,2 % com a correcção da temperatura e de dias úteis). Em relação às trocas de electricidade com Espanha o saldo do mês foi exportador de 25 GWh, resultante da exportação de 365 GWh e da importação de 340 GWh, um dado que revela a existência de vários períodos de exportação eléctrica, o que demonstra que as ofertas das centrais nacionais, em mercado, foram mais competitivas que as congéneres espanholas. O pico de exportação ocorreu no dia 8 de janeiro pelas 6:15, e atingiu o valor de 3.384 MW.

No período analisado, verificou-se ainda que o valor médio do mercado da electricidade foi de 51,63 €/MWh, para uma representação de 47,7 % de renováveis no total da produção de Portugal Continental. Por oposição, em janeiro de 2016, tinha-se verificado um valor médio do mercado da electricidade de 36,39 €/MWh, para uma maior quota de renováveis que atingiu 70,2 % no total da produção de janeiro de 2017.

Os números agora revelados pela Associação que representa o sector da electricidade renovável colocam em evidência a correlação entre o preço da electricidade e a produção eléctrica de origem renovável. Isto é, quanto maior for o peso da produção renovável, menor será o preço da electricidade em mercado.

Em janeiro, continuou a verificar-se a predominância das fontes fósseis, no abastecimento das necessidades eléctricas nacionais, à semelhança do que se passou em grande parte de 2017. Porém, é de destacar pela positiva a elevada taxa de produção eléctrica das centrais eólicas, que atingiram um factor de carga que ronda os 35 %. É ainda relevante mencionar que neste mês as centrais eólicas de Portugal Continental geraram, por si só, mais electricidade do que o global das centrais a gás natural.

Sobre a APREN

A Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN) é uma associação sem fins lucrativos, constituída em outubro de 1988, com a missão de coordenação, representação e defesa dos interesses comuns dos seus Associados.

A APREN desenvolve trabalho em conjunto com organismos oficiais e outras entidades congéneres, a nível nacional e internacional, constituindo um instrumento de participação na elaboração das políticas energéticas para Portugal, promovendo o aproveitamento e valorização dos recursos renováveis nacionais para produção de eletricidade.

Mais informação disponível em www.apren.pt.