Diocese dispensa Padre Giselo de funções no Monte

Assumir responsabilidades foi decisão apreciada, mas o caso comporta aspectos negativos

28 Jan 2018 / 21:01 H.

“Após diálogos com o próprio sacerdote, ouvidas algumas instâncias da Igreja e percepcionando um sentido eclesial comum, por parte de sacerdotes, consagrados e leigos, entendeu-se que constitui maior bem para o padre Giselo Andrade e para a Igreja diocesana, dispensá-lo de pároco do Monte, podendo continuar a exercer o ministério pastoral, através de algumas actividades que lhe estavam já confiadas, na área das comunicações, e outras que eventualmente lhe sejam atribuídas.” Este é o parágrafo da nota da Diocese do Funchal, que esclarece o futuro do pároco do Monte. Uma clarificação aguardada há mais de dois meses, na sequência de ter sido tornado público que o pároco do Monte havia assumido a paternidade de uma menina nascida a 18 de Agosto do ano passado.

Provisoriamente, o pároco da Sé, o cónego Vítor Gomes, vai assumir a paróquia do Monte, em acumulação. “Apesar das limitações inerentes a esta situação provisória, tudo se fará para levar por diante os projetos em curso, nomeadamente a tão desejada construção da capela da Imaculada Conceição, nas Babosas, como sinal de consolação e esperança.”

A nota da Diocese lembra que o caso do padre Giselo “foi amplamente difundido, na Madeira e fora dela” e afirma que, o gesto e o compromisso de assumir a paternidade revelaram “um sentido de responsabilidade que muita gente apreciou, sem que, no entanto, perante o facto, se deixassem de reconhecer, também, os seus aspectos negativos. Na verdade, os sacerdotes católicos aceitam e comprometem-se, em plena liberdade, a viver o dom do celibato no seu ministério de serviço ao Povo de Deus, em conformidade mais plena a Cristo Pastor, com frutos abundantes para a Igreja, ainda que com o sacrifício de algumas expressões e alegrias da vida familiar”.

“Toda esta situação gerou nos órgãos da comunicação social e nas redes sociais uma oportunidade de debate e reflexão, mas também uma ocasião ou motivo para questionar e contestar a actual disciplina da Igreja, desconhecendo-se o sentido espiritual da mesma. A Igreja não é estática, é dinâmica; tem uma história que lhe permite reconhecer e avaliar os seus valores e as suas faltas, o positivo e o negativo da sua presença junto das pessoas e da sociedade. As mudanças, porém, não se operam por razões de mera popularidade ou estatística de opiniões.”

“Relativamente ao pároco do Monte, ele próprio manifestou o desejo de continuar a exercer o ministério sacerdotal, nas condições exigidas pela Igreja. Desde logo se sentiu a necessidade de um discernimento claro, em ordem a uma opção responsavelmente assumida e maturada na reflexão e na oração, um discernimento feito com serenidade e livre de pressões, acompanhado pelo Bispo da Diocese.”

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