‘Declaração do Funchal’ pede mais investimento financeiro nos museus e destes no digital e no público jovem-adulto

Documento assinado por ICOM-E e por WFFM apresenta linhas orientadoras para o futuro dos museus e vai chegar a todo o mundo

11 Mai 2018 / 15:19 H.

A Assembleia-Geral da Federação Mundial dos Amigos dos Museus (WFFM) está a decorrer na Madeira desde ontem com a participação de 85 pessoas de várias partes do mundo, a maior parte deles mecenas. O evento, apoiado pelo Governo Regional através da Secretaria Regional do Turismo e Cultura decorre até domingo com um programa social onde se incluem visitas a vários museus da Madeira e a outros pontos de interesse cultural e patrimonial. Paralelamente, e tirando partido da presença dos representantes internacionais na ilha, foi assinada esta manhã a ‘Declaração do Funchal’ pelos representantes da Federação e do Conselho Internacional dos Museus da Europa (ICOM-E). O documento surge dez anos depois do último e congrega as novas linhas de orientação nesta área.

Este ano é o Ano Europeu do Património Cultural, uma ocasião oportuna na opinião de Luís Raposo para juntar uma reflexão sobre novas políticas para os museus através deste documento de orientação de políticas, programático. A necessidade de aumento do financiamento, da aposta no público jovem-adulto e no digital são posições conjuntas assumidas no documento intitulado ‘Museus, lugares sociais emblemáticos’, que passará a ser conhecido como ‘Declaração do Funchal’.

As duas organizações não-governamentais são maiores em termos internacionais e representativas a nível mundial dos museus - a Federação inclui associações de amigos e o Conselho é formado por profissionais. Se a de há dez anos a declaração conjunta de intenções foi dedicada ao papel dos Museus no turismo cultural sustentável, e ainda hoje é referido, esta recorda a centralidade e importância dos museus no mundo contemporâneo, deixando algumas linhas possíveis de orientação, quer aos governos, quer aos museus.

A questão do investimento nos museus é central. O presidente do ICOM-E constata que o aumento do turismo a nível mundial “não se está a reflectir em benefícios óbvios para os museus e para o património cultural”. Se não houvesse museus e património, não haveria turismo, em grande parte. E pede por isso aos governos que tenham em conta o papel destas estruturas e das suas colecções na cidadania e na promoção do turismo e que invistam mais.

Já aos museus, a recomendação vai no sentido de que façam mais programas para cativar os jovens-adultos, uma faixa que precisa de mais investimento na opinião de Luís Raposo, assim como também se dediquem mais à hiperconexão e ao digital. O Dia internacional dos Museus que se comemora a 18 de Maio é dedicada este ano ao tema ‘Museus hiperconectados: novas abordagens, novos públicos’, um tema que interessa às duas entidades. “Os museus devem utilizar o mais possível essas tecnologias na perspectiva de permitir à distância ver, preparar as visitas, melhorar as visitas e depois das visitas feitas, levar na memória e perpetuar na memória aquilo que se viu”, defendeu.

A Madeira durante muitos anos foi a melhor rede de museus portuguesa, referiu o presidente do ICOM-E. “Quem não conhece fica admirado, como é que uma ilha, embora pérola, no meio do Atlântico tem colecções tão notáveis. Claro que depois conhecendo-se a história, conhecendo-se o cosmopolitismo que teve a Madeira na ligação com a Flandres, etc., percebe-se. E com museus de muita qualidade”, elogiou.

Alguns museus da Madeira estão representados no ICOM. Em Portugal são à volta de 120 museus e entre 300 a 350 membros individuais. A nível internacional, o ICOM tem 35 mil membros e está representado com comités nacionais em 130 países.

O facto de a declaração circular depois por todo o mundo é visto como um facto positivo em termos de promoção da Região, “uma oportunidade excelente de projectar a Madeira do ponto de vista turístico, mas também do ponto de vista cultural. Paula Cabaço esteve presente na cerimónia e referiu o esforço que vem sendo feito na Madeira na valorização dos museus, nomeadamente através das obras que vêm sendo feitas no património, mas não só. A secretária regional do Turismo e Cultura recordou o investimento no Photographia Museu Vicentes, futuro Museu da Fotografia; o lançamento da empreitada do Largo do pelourinho e da Torre do Capitão. Por outro lado, falou também do enriquecimento do espólio com a aquisição de novas obras.

O orçamento da Direcção Regional de Cultura ronda os 8 milhões de euros. Cerca de 70% foi dedicado ao património, revelou Paula Cabaço.

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