Bispo deixa mensagem de “amor” e “altruísmo” na Missa da Ceia do Senhor

09 Abr 2020 / 16:57 H.

Esta tarde, na Missa da Ceia do Senhor, celebrada sem reunião com fiéis devido à pandemia de Covid-19, o bispo do Funchal deixou uma mensagem de “amor” e “altruísmo”.

“Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim”, começou por dizer Nuno Brás Martins, na homilia desta Quinta-feira Santa, evocando o relato da Última Ceia de S. João.

“Para S. João, o amor como que resume toda a vida de Jesus”, mas é um “amor até ao fim”, realça o bispo.

Quer isto dizer que “Jesus amou os discípulos desde que nasceu até à sua morte. Toda a sua vida foi um acto de amor. Foi por amor que o Verbo se fez carne. Foi por amor que escolheu os discípulos. Foi por amor que mudou a água em vinho; que curou o cego; que ressuscitou Lázaro; que celebrou com os seus a Última Ceia e lhes lavou os pés; e, por fim, foi por amor que morreu na cruz e ressuscitou”, explica D. Nuno Brás, convidando-nos a “ir mais longe”.

“’Até ao fim’ quer também dizer: ‘completamente’, sem falha alguma, entregando toda a sua vida àqueles que ama, sem nada reservar para si, sem qualquer ponta de egoísmo”, exorta, numa altura em que nos é pedido precisamente que pensemos não só na nossa segurança, mas também na dos outros.

“Ninguém tem maior amor que aquele que dá a vida pelos amigos”, sublinha o bispo, citando S. João.

Também nós somos “amigos” e “discípulos” de Jesus, lembra Nuno Brás Martins, passando a explicar a importância da Última Ceia nesta época pascal.

“Os discípulos do Senhor estão no mundo. Estamos nós no meio do mundo. Vivemos nele. É neste ‘mundo dos homens’ que trabalhamos; é nele e com ele que nos tornamos ‘humanos’. É esse mundo que há-de receber o amor que brota da Eucaristia. É ele que há-de ser transformado pelos cristãos, a partir deste amor recebido e vivido à volta da mesa que Jesus dispôs para nosso alimento”.

“A Eucaristia é o nosso alimento, alimento de vida. E, por isso, não vemos a hora em que, de novo, a possamos celebrar todos, já sem os media como intermediários, mas presencialmente, uns com os outros. É também questão de sobrevivência”, afirma o bispo, numa nota de esperança de que superaremos a actual situação de isolamento social imposta pela pandemia.

“Enquanto isso não é possível e nos vemos obrigados a este ‘jejum eucarístico’, celebremos a Páscoa do Senhor na certeza de que Ele está connosco e nos quer com Ele. ‘Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim’, conclui.