As catástrofes recordam-nos que “não somos Deus nem sequer pequenos deuses”

Na Sé do Funchal decorre a missa em memória das vítimas do 20 de fevereiro na Sé Catedral

20 Fev 2020 / 11:24 H.

Na celebração eucarística em memória das vítimas do ’20 de Fevereiro’, realizada esta manhã na Sé do Funchal, D. Nuno Brás recordou que “o suor, o sofrimento, a tenacidade e a esperança marcam, desde sempre, a vida dos madeirenses”, sobretudo quando surgem “catástrofes naturais, em particular aluviões que, de tempos a tempos, semeiam um rasto de destruição”.

Para o Bispo do Funchal, as catástrofes mostram como estamos unidos ao mundo natural, salientam a nossa fragilidade, os nossos limites e recordam-nos que “não somos Deus, nem sequer pequenos deuses”.

Mas é nestes momentos, diante das catástrofes, que “não podemos deixar de cuidar uns dos outros e de, com o coração em Deus, participar no cuidado de todos e por todos, quem quer que seja”, referiu D. Nuno Brás, salientando que este é o momento de “mostrar como a fé é vida e todos abraça naquele amor indestrutível”.

“Há precisamente 10 anos, a Madeira viveu um dos mais aflitivos momentos da sua história”, recordou, mas ao contrário de tantas outras situações semelhantes ocorridas anteriormente “aquele 20 de Fevereiro de 2010 colocou, pela primeira vez, a nossa Ilha nos noticiários do mundo inteiro pelas piores razões”, destacando que o mundo assistiu, impotente, às águas e lamas que se precipitavam pelas encostas, pelas ribeiras, levando atrás de si quanto encontravam.

“O inferno parecia ter irrompido no Paraíso do Atlântico e, desta vez, o inferno não era de fogo, mas de água e lama”, salientou D. Nuno Brás, recordando as vidas perdidas, casas destruídas, famílias enlutadas e toda uma Ilha e população que parecia impotente perante a fúria da natureza.

“Recordo também eu, desses dias, a preocupação de cada seminarista madeirense e a preocupação de toda a comunidade do Seminário e, igualmente, as mensagens de solidariedade que de todos os lados surgiram, reconfortantes, destacando-se aquela do próprio Papa Bento XVI”, frisou D. Nuno Brás, recordado que o mundo “assistiu também ao testemunho da fé de um povo que não se deixou consumir pela angústia e desespero, mas que, entreajudando-se, e unindo esforços, foi capaz de reerguer um novo futuro, quase com a mesma rapidez com que tinha surgido a aluvião”.

Recorde-se que esta iniciativa foi promovida pela Assembleia Legislativa da Madeira, através do presidente José Manuel Rodrigues, como forma de homenagear os que morreram, mas também todos os que sofreram com as enxurradasMH7lEtGyWS8.