Arraial com restrições de fogo e música um ano após a tragédia do Monte no Funchal

12 Ago 2018 / 12:51 H.

O indicador de que o arraial de Nossa Senhora do Monte, no Funchal, está diferente este ano é a ausência de fogo e de música audíveis à distância, o que traduz o luto pela tragédia do ano passado.

No dia 15 de agosto de 2017, um carvalho centenário de grande porte tombou, cerca das 12:00, no Largo da Fonte, sobre uma multidão que aguardava a passagem da procissão da padroeira da Madeira, matando 13 pessoas e ferindo 50.

Um ano depois, as festividades começaram no dia 05 de agosto, com a realização da primeira de nove novenas - missas que antecedem a celebração da Assunção de Nossa Senhora e que são organizadas por diversos sítios e instituições da freguesia da Monte, uma das dez que compõem o concelho do Funchal.

“Tenho assistido às novenas e a igreja tem estado sempre cheia, não há bancos vazios, e esta é a resposta da população à tragédia: mantém a fé em Nossa Senhora e vai à festa”, disse à agência Lusa a presidente da junta de freguesia, Idalina Silva, vincando que todas as missas têm sido “bastante participadas”.

A tragédia de 2017 motivou, entretanto, a abertura de um inquérito no Ministério Público, em que o presidente da Câmara do Funchal, Paulo Cafôfo, a vereadora do Ambiente, Idalina Perestrelo, e um funcionário camarário foram constituídos arguidos.

Por outro lado, desencadeou uma intervenção de fundo no Largo da Fonte e jardins circundantes, onde foram abatidas algumas árvores, e despoletou um grande debate sobre as condições de segurança para a realização da festa este ano.

As autoridades decidiram, no entanto, avançar com as festividades nos moldes tradicionais, apenas com restrições ao nível de som amplificado e do lançamento de fogo, pois os técnicos responsáveis pelas peritagens no local admitem que a vibração provocada por estes elementos pode ter contribuído para a queda da árvore em 2017.

“Após a missa, a animação no adro continua como nos anos anteriores, com música ambiente”, explicou Idalina Silva, num momento em que ainda decorre a montagem das iluminações, enfeites e barracas de comes-e-bebes entre o Largo da Fonte e o Largo das Babosas, onde é esperada uma maior afluência de pessoas nos dias 14 e 15 de agosto.

Por isso, os comerciantes já instalados no recinto consideram que ainda é muito cedo para tirar ilações e fazer comparações com os anos anteriores.

“É certo que algumas pessoas mantêm a reserva, não só familiares das vítimas, como também pessoas que auxiliaram os mesmos a fazer o luto, e da parte desses alguns têm faltado às novenas”, disse a presidente da junta de freguesia.

A festa de Nossa Senhora do Monte data dos primórdios da colonização da ilha e é considerada o maior e mais concorrido arraial cristão da Madeira, sendo que a devoção dos madeirenses está ligada a um momento trágico na história da ilha, quando uma aluvião registada em 1803 provocou a morte de aproximadamente mil pessoas.

Para ajudar a enfrentar esta calamidade, a diocese do Funchal considerou, no ano seguinte, a Senhora do Monte como a padroeira da Madeira.

Também é costume o Monte receber nesta altura muitos visitantes, entre os quais muitos emigrantes, e no dia 15 de agosto as diversas autoridades regionais participam na missa e na procissão.