O cartel

21 Jan 2020 / 02:00 H.

    A Banca portuguesa “organizou-se” em cartel, onde se destaca a CGD o banco público detido a 100% pelo Estado e condenada a pagar a multa mais elevada, para manipular as taxas dos créditos a particulares e às empresas. Fê-lo durante mais de 10 anos entre 2002 e 2013. Basicamente a falcatrua consistia em os Bancos trocarem entre si informação sigilosa onde indicavam uns aos outros os spreads que iriam aplicar nos respetivos créditos para através desse conluio manter as taxas o mais elevadas possível face à descida contínua das taxas Euribor. Esses spreads superiores aos que resultariam certamente se entre eles tivesse funcionado a livre concorrência, permitiram-lhes arrecadar grandes proveitos em prejuízo dos seus clientes de crédito. O BE prepara-se para mais uma fogachada ideológica cujo único resultado prático será tentar desviar as atenções da responsabilidade acrescida da CGD em todo este imbróglio, ao convocar para uma audição na Assembleia da República (AR) o Governador do Banco de Portugal e os atuais responsáveis pelos Bancos. Curial seria chamar à AR para prestar publicamente contas da sua atuação não os atuais banqueiros mas aqueles que foram os intervenientes diretos e responsáveis pelas alegadas trafulhices, nomeadamente os que estiveram à frente dos destinos da CGD. Aliás o resultado de tudo isto será os verdadeiros responsáveis ficarem impunes como sempre tem acontecido. Continuarão a gozar as suas reformas e os milhões que receberam em prémios de produtividade fruto de uma gestão fraudulenta e carreirista das instituições de crédito por onde passaram, ocupados que estavam mais com a gestão de interesses pessoais do que das instituições. As multas que agora impendem sobre os bancos infratores serão pagas em ultima instância pelos seus clientes e não pelos verdadeiros responsáveis pelas fraudes! Enquanto gestores deste tipo puderem tomar decisões que nunca os afetam a eles mas apenas às instituições e aos respetivos clientes tudo ficará na mesma.

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