Nem cuidados, nem tão pouco a eutanásia

25 Fev 2020 / 02:00 H.

    Com o cair da noite deste domingo Gordo com reportagens televisivas carnavalescas cheias de alegria, sigo para o programa Got Talent que a televisão pública nos anda a oferecer em horário nobre aos domingos. No serão de hoje, a dada altura pudemos assistir à actuação de Canto Alentejano pelo Grupo Canto Infantil composto por crianças dos sete aos doze anos de idade. Enquanto me encantava com tão bela exibição, recordei uma notícia que li logo pela manhã sobre uma criança também de sete anos de idade na Cidade do México. Pouco interessa se a Fátima, a menina mexicana, teria algum dom vocal, para a dança ou algo diferente. O que fiquei a saber foi que esta criança de sete anos teve o azar da sua mãe ter chegado atrasada 15 minutos depois do fecho da escola, dando oportunidade a que um casal conhecido tivesse dado a mão à criança para um destino fatal e macabro. Graças a um sistema de câmaras de segurança do comércio local, foi fácil às autoridades identificar os autores do sequestro. Infelizmente, a seguir ao sequestro seguiu-se a violação,o estrangulamento e finalmente ainda tiveram coragem para a esquartejar. Segundo a notícia, a falta de segurança e a passividade das autoridades originou no ano findo, mais de 1000 vítimas de feminicídios. Pelas leis mexicanas, estes criminosos estão sujeitos a uma pena entre 80 a 140 anos. Cá, 25 anos seria o máximo da pena se o tribunal estivesse para aí virado. Pois para mim, que embirro com o politicamente correcto, num crime hediondo como este, sei bem qual seria a pena que mereciam - fazerem-lhes apenas e só aquilo que fizeram àquela criança inocente. Sem direito a cuidados paliativos nem tão pouco a eutanásia.

    Jorge Morais