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Violência Doméstica

É no silêncio das vítimas que germina a impunidade de um crime que acontece em casa. Quantos se cala (ra)m com medo de verem aumentados os maus tratos a que foram e são sujeitos.

São esposos/as, filhos, avós, o alvo fácil de criminosos cuja função deveria ser protegê -los nas suas fragilidades. Há tão poucos dias uma criança sucumbiu às mãos hediondas e implacáveis do seu progenitor.Hoje, uma avó que ,certamente,embalou e amou o neto que friamente lhe roubou a vida. Quantas avós não terão sido espancadas por dinheiro?

Num caso ou noutro a Sociedade falhou. Quase todos nós ignoramos os sinais,num desejo envergonhado de que não seja verdade.Porque assim é mais fácil continuar a ignorar. Não há varinha de condão que acabe de vez com a violência doméstica. Cabe à família e à Escola um papel preponderante na erradicação deste flagelo. Não há outro caminho. Quando a família falha é preciso que a Escola,a Segurança Social, as forças de Segurança, as C.P.C.J. e os Tribunais intervenham,agindo em conformidade e em tempo útil. Investigando exaustivamente ,punindo e afastando os agressores das vítimas. Não as deixando entregues à sua própria sorte. Nos meus anos de ligação ao Ensino vi passarem alguns casos problemáticos e,mesmo com alertas à situação, até hoje não sei qual o desfecho.Se calhar até sei,mas agora não é relevante.

Crianças nascidas e criadas em familias desestruturadas,num contexto de violência verbal e física poderão ser adultos responsáveis?

Serão adultos bem formados emocionalmente?

Serão adultos respeitados e respeitadores se a única linguagem que conhecem é a violência psicológica, verbal e fisica entre os seus progenitores e eles próprios e os seus ascendentes?

Se não forem devidamente acompanhados,não. Nunca.

Que pais serão estes filhos? Exactamente como os pais que tiveram,geração, após geração.

Infelizmente os resultados estão à nossa vista,relatados nos casos que, mais vezes do que seria desejável,vão surgindo. Nos adultos violentos, fracassados,mau carácter. Que não olham a meios para atingir os fins,nem que para isso tenham de espancar e até matar,para sustentar luxos, vícios e futilidades. Infelizmente, encontramo-los por aí. Disfarçados às vezes, outras nem tanto.Porque não têm auto-controle e a sua pouca inteligência também não ajuda.

Descompensados,frustrados,prontos a azocrinar e a tentar desestabilizar a vida dos que tiveram a sorte de nascer e viver numa família imperfeita,mas feliz.

Quanto a estes pouco poderá ser feito,para além do internamento compulsivo nas Instituições para o efeito,mas podemos e devemos impedir que outros se sigam.

Intervindo. Precocemente. Talvez ainda seja tempo.

Madalena Castro

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