Uma questão de pernil

29 Dez 2017 / 02:00 H.

    Ao que se sabe, a porca torceu o pernil e não chegou ao destino desejado neste Natal. Talvez que tenha sido desviado para Copacabana, aonde junto à beira-mar, costumam ver-se em passo de corrida, uns belos pares de pernis bronzeados, que nos fazem espumar pela boca e arregalar a pestana. Na Venezuela bolivariana, Maduro também espuma pelo bigode e vocifera pelos dentes, por Portugal ter-lhe passado uma rasteira e retirar-lhe o cumprimento da promessa de levar à mesa do seu povo, o pernil prometido e tradicional nesta quadra festiva e muita cristã. Portugal parece ter enfileirado no boicote camuflado àquele país, mais produtor de petróleo do que de suínos, embora os lá haja semelhantes aos nossos. Pensa-se ainda que tal problema provocado ao líder Nicolás Maduro, tenha sido por uma questão de contas bloqueadas para pagamento da encomenda feita a tempo e horas. Portugal é por sua vez um país muito cristão, e seria incapaz de por um povo à míngua, retirando-lhe o pão da boca, quando por cá ele sobra e até é deitado ao lixo. Pelo nosso país, não há gente com fome. Há necessitados. Mobilizam-se portugueses junto dos grandes mercados, para angariar alimentos e depois doá-los, mas tudo não passa de um entretenimento natalício ou de ocasião. E são tantas e fartas dádivas, que não tendo a quem as dar, deitam-nas aos contentores do lixo, como aconteceu com um monte de bolos-reis. É certo, que no envio por barco, do pernil esperado na Venezuela, já não podia ter sido despachado junto, tal achado, para ser distribuído gratuitamente aos famintos do lado de “cima do equador”, e a banhos no Caribe, ou em protestos na rua e com o fogo pronto. Com a sabotagem ou outra manobra política, feita por Portugal, o povo venezuelano arrisca esticar o pernil, e apenas com tempo de celebrar com raiva, o credo sonhado e a santa unção ao próximo. Viva a solidariedade!

    Jaoquim A. Moura

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