Um rasgo de cultura

O efeito da cunha, dos amiguismo, da resistência à mudança e uso constante da palavra “Tradição” para camuflar falta de capacidade de trabalho e criatividade é algo comum em muitas regiões, sendo mais presente e quase escandaloso em meios pequenos, e claro está a Madeira não seria excepção, já a nossa cara amiga Sónia Silva Franco escrutinou sobre este tema e muito bem numa crónica do DN.

Como Madeirense atenta não deixei de achar curioso uma conferência organizado no Scatt que supostamente uniu alguns iluminados da cultura madeirense para fazer um rasgo com o passado, a pensar no futuro (pelo menos foi isso que foi sublinhado pela organização).

Ora ao fim de quase duas horas de conversa, não tivemos nada mais do que pura demagogia barata com a constante desculpa do excesso de burocracia e limitações orçamentais, numa quase desilusão de que não se pode fazer nada. Fico a pensar, se estas pessoas estão assim tão desiludidas, porque estão ali? porque têm cargos de decisão pagos com dinheiro público?

Digo isto, porque tenho visto gestores culturais seja públicos e alguns privados conseguir fazer cultura séria e de qualidade na Madeira e inclusive atingir o reconhecimento nacional e internacional.

Claramente a Madeira ainda sofre do mais do mesmo por ser amigo ou ter elemento cunha e por esse facto está condenada de culturalmente e não só estar sempre atrasada e atrás do que se está a fazer no resto da Europa. Mas não precisava ser assim, desde que se tivesse a coragem de colocar e apoiar quem realmente sabe fazer cultura em 2017 e não em 1980.