Santa Cruz, de queixinha em queixinha

15 Mar 2019 / 21:33 H.

    Enquanto oposição queixava-se do poder. Agora como poder queixa-se da oposição.

    Na falta de uma estratégia programática assumida, desde 2013 vem sempre a cassete das lamúrias da pesada herança (bolas, já se foram quase 6 anos), mas onde parece estar já apagada a saga da auditoria.

    Do outro lado da cassete vem o discurso do social que preenche uma marca de reputação como a caridadezinha para as ricas senhoras de ‘bem’.

    Na verdade, em 4 anos, de 2014 a 2017 (última conta conhecida), todos os apoios às famílias totalizaram 397 mil euros que apenas representam 18% dos 2,2 milhões recebidos pelos novos impostos da derrama, taxa de proteção civil e ecotaxa ou, tão só, 38% dos gastos com um advogado de Lisboa.

    Vem a recente queixinha a propósito da votação da delimitação das ARU’s (Áreas de Reabilitação Urbana). Além de, ao invés do afirmado, nem toda a oposição ter votado contra, sobretudo importa referir que não compete nem prestigia o poder, pelo menos os não totalitários, vir a público para insultar a divergência dos outros.

    Mormente, sobre planeamento urbano pouco préstimo resta a quem deixa um PDM fora de prazo desde 2014 sem perspetivar um novo, a quem mete na gaveta um PU (Plano de Urbanização) do Caniço Centro já elaborado e discutido em 2013 ou a quem ressuscita e põe à discussão pública um PU dos Reis Magos adormecido desde 2012 para depois rasgá-lo.

    Assim, estas ARU’s nascem à revelia de qualquer planeamento, como carroça à frente dos bois.

    Alias, dá para entender, perante os reduzidos limites inicialmente propostos, que o verdadeiro objetivo não é a reabilitação urbana mas, sim, o acesso a fundos europeus para inaugurar decididas obras de fachada em 2021. Felizmente o estudo da empresa responsável mais que duplicou essas áreas iniciais garantindo zonas urbanisticamente consistentes.

    E uma coisa é aprovar limites de áreas e outra será aprovar as operações (ORU’s) sobre as mesmas, planos que necessitam de discussão pública.

    Então, se discutirá a destruição de rochas naturais para construir artificialmente uma piscina dita natural ou a construção de silos subterrâneos na Achada da Camacha e na Alameda de Santa Cruz quiçá encimados por belos jardins com árvores frondosas de raízes no betão.

    Óscar Teixeira

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