Reflexão vs educação

13 Jul 2018 / 02:00 H.

    Começo esta carta com o meu espanto em relação a uma notícia de ontem na RTP-Madeira em que a mesma frisava que educadoras foram requerer uma reunião ao sr. secretário da Educação, e que este não lhes satisfez o seu capricho. Passo a explicar o meu espanto, como é possível a classe das educadoras estar tão ceguinha que não entende ou não quer entender que a sua representante só luta pelos seus direitos? Essa senhora veio se apresentar como educadora de infância, quando tem outros tachos atribuídos a ela, as educadoras já se perguntaram onde estarão daqui a 10 anos? É que essa senhora estará com os pés para a reforma antecipada, e as que estão começando agora muito vão ter que trabalhar para lá chegar, mas entretanto essa senhora já lhes estragou o futuro. A conquista que tiveram este ano, será que daqui a 10 anos vão ter crianças para trabalhar ou estarão no desemprego e aí sim vão agradecer a essa senhora por ter lutado a penhorar o seu futuro. A natalidade na Madeira é cada vez mais a descer, como é que os educadores querem exigir tantas regalias do governo se daqui a uns anos nem trabalho vão ter? Já se perguntaram porque que as creches e infantários privados tem cada vez mais crianças? Porque praticam uma política como qualquer empresa, em que todos os funcionários têm 22 dias úteis de férias, independentemente de serem educadoras ou ajudantes, e estão todo o ano abertos, havendo rotatividade entre os funcionários de maneira que os pais possam trabalhar, porque esses só tem 22 dias de férias como dita a lei. As senhoras educadoras devem pensar que o mundo gira em volta delas e que a economia da Madeira pára a 1 de Julho e recomeça a 15 de Setembro. Puro capricho. Sou a favor sim de lutarem pelos seus direitos, mas sem prejudicar quem quer e precisa de trabalhar, neste caso os encarregados de educação. Lutem sim por melhores salários compatíveis com as suas funções, lutem por melhores recursos humanos, que tanto falta, por recursos materiais, que muitas vezes são os pais que tem que pagar os materiais que são necessários para as crianças poderem trabalhar. Não se iludem com as promessas que essa senhora faz e quer pratica-las porque o que interessa é haver trabalho. Como diz o ditado em terra de cego quem tem olho é rei, nesta terra quem tem emprego é rei, mesmo trabalhando 11 meses (que é o normal para qualquer pessoa). A classe dos professores e educadores é a que tem feito mais greves e reivindicações, só porque o senhor secretario recebeu as ajudantes operacionais (que nunca convocaram uma greve, nem requereram audiência a exigir os seus muitos direitos) foram logo para a porta quais crianças amuadas a exigir que lhes atendessem, bem fez o sr. Secretário que não está para aturar birras de quem não quer trabalhar. Sou a favor de repor como era no ano passado, que as educadoras trabalhem no mês de Julho, porque o tempo que pedem para fazer relatórios, avaliações, etc. Todos nós sabemos que fazem isso numa semana, e o que farão no resto do mês? Será que é para fazer como fazem certos professores que assinam a folha de presença e a seguir estão a longas milhas do seu posto de trabalho? Será que o governo vai continuar a sustentar mais vadios, em que deveriam estar a trabalhar e no entanto já estão com o papo para o ar a apanhar sol, sendo pagos com os descontos de todos os cidadãos que continuam a trabalhar e a pôr as mãos ao céu para que nada aconteça aos seus filhos, que estão entregues a ajudantes, que muito fazem com tantas crianças na mesma sala? Sr. secretário reflicta muito e pense bem, porque a era de ouro em que havia muitas crianças que até se davam ao luxo de aceitar quem lhes apetecia, acabou. Agora vem a época das vacas magras, não se deixe influenciar pelos caprichos e birras de professores e educadores e tenha mais atenção aos encarregados de educação, que neste imbróglio todo tem sido uma bola nas mãos de quem não quer trabalhar. Os encarregados de educação neste momento confiam mais nas ajudantes do que nas educadoras, já se perguntou porquê? Fica a pergunta para poder reflectir.

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