Qualidades, defeitos, unipessoal Lda

15 Mai 2019 / 02:00 H.

    Será necessário ser-se psicólogo ou ter esperado pelo desfecho do caso dos professores com toda aquela carga dramática e chantagista para perceber que António Costa (AC) é um político com as qualidades apregoadas? Modéstia à parte, já há bastante tempo que o escrevi após começar a analisar certas atitudes de AC. Conhecedor da situação em que Sócrates deixava o país, resguardou-se e deixou que outros fizessem o trabalho odioso que se adivinhava com a vinda da Troika. E assim, tocou a Passos Coelho ser a vitima que, para deixar as contas em ordem, ficou queimado politicamente. No Partido Socialista, também deixou que outros fizessem o trabalho mais difícil, e depois da casa arrumada, apunhalou pelas costas o seu camarada de partido António José Seguro. Já com o caminho livre e os adversários de rastos, avançou. Mesmo assim, não tendo conseguido ganhar as eleições, num golpe de génio, conseguiu fazer maioria no parlamento, apear o vencedor e formar governo com o apoio daqueles que mais tarde ou mais cedo também irão borda fora. Tudo isto, é AC político. No entanto, no reverso da medalha, temos AC primeiro ministro. Graças a uma conjuntura externa favorável, com a herança das finanças saudáveis e a ausência da Troika, mau seria que não tivesse revertido algumas medidas deixadas por ela, como por exemplo o desapertar do cinto à população e implicitamente o desemprego a descer, os vencimentos a subirem, e o bem estar a fazer-se sentir. Mas quando se começa a analisar o lado negativo da sua governação, o que temos? Os fogos de 2017 onde se verificou a ineficácia do SIRESP graças a AC que em 2006 homologou o contrato sem os objectivos definidos estarem acautelados; com o país a arder, não regressa de férias; o estado de pré falência a que deixou chegar o SNS; idem para a ferrovia; idem aspas para a educação; cerca de 2,4 milhões de portugueses em risco de pobreza ou exclusão social . . Chega? Ora era aqui que os elogios deviam chover. Assim, deixe-me acrescentar outra qualidade à primeira parte da carta: Maquiavel, comparado a AC, não passa de um aprendiz.

    Jorge Morais

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