Pode-se ou não?

03 Dez 2019 / 02:00 H.

    Após o Sínodo da Amazónia, deparei-me com o artigo de um sacerdote que me fez pensar. Voltava ao tema de pessoas divorciadas, numa segunda relação, poderem ou não comungar. Para dar força ao que pensava, apoiava-se no facto de Jesus não ter recusado a comunhão a Judas Iscariotes na Última Ceia. Não foi uma ideia feliz, pois o que esperamos dos sacerdotes é que nos ensinem e ajudem a ir para o Céu, não a sermos encaminhados por vias que podem levar ao inferno,

    Segundos os ensinamentos da Igreja, os pecados podem ser veniais, mortais ou sacrílegos. Pode-se, e é aconselhável, comungar tendo cometido algum pecado venial porque esses pecados ficam perdoados e a comunhão ajuda a resistir às tentações. Quem está em pecado mortal - é o caso de quem vive em adultério - não deve comungar, pois o pecado que comete é ainda maior que o pecado mortal (é o chamado sacrilégio): “Assim, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor. Portanto, examine-se cada um a si próprio e só então coma deste pão e beba deste vinho; pois aquele que come e bebe sem distinguir o corpo do Senhor come e bebe a própria perdição” Coríntios 11, 27-29.

    Os cristãos devem esforçar-se por conhecer a lei de Deus para poderem salvar-se; e os sacerdotes devem ensinar toda a lei de Deus com verdade, isto é, sem nada omitir e sem a alterar.

    Pelo que atrás ficou dito, compreende-se que quem se quer salvar deve viver a castidade de acordo com o seu estado de solteiro ou casado. Pecar nesta matéria é grave e a pessoa não pode comungar enquanto não se arrepender, confessar e estiver firmemente decidida a não voltar a pecar. No entanto, os sacerdotes não devem recusar a comunhão aos fiéis, pois não conhecem o estado das suas almas. Se uma pessoa é conhecida pela sua vida desonesta, os familiares e amigos devem esclarecê-la explicando-lhe o perigo que corre se condenar para sempre. Feito isto, resta-lhes rezar para que tal pessoa se venha a arrepender.

    Concluindo: se a Igreja afirma que não se pode comungar em pecado mortal, isso significa que, se o fizer, vai ofender muito Nosso Senhor. Se morrer sem se confessar, certamente se condenará. Foi isto que Jesus ensinou e os sacerdotes, pais, catequistas e educadores devem ensinar, tal como os pais avisam os seus filhos dos perigos que correm, dizendo que “não podem fazer algo”. Deste modo, ajudarão muitas pessoas a salvar a sua alma e eles próprios se salvarão. Um santo nunca vai sozinho para o Céu.

    Isabel Vasco Costa

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