País irreal

16 Set 2018 / 02:00 H.

    É a primeira vez que vos escrevo, mas como cidadão contribuinte, e sem filiação partidária, julgo que o o irrealismo em que vivemos está a atingir todos os limites do (ir)razoável.

    Não há a menor dúvida que a comunicação social é um poder, talvez até o mais poderoso da humanidade. A realidade é, o que a comunicação social quiser.

    É pois necessário uma comunicação social responsável, e que coloque sempre em primeiro lugar a partilha da verdade.

    O anterior governo, o da austeridade, o das manifestações gigantescas, foi deposto pelo diabo, digo, pelo António Costa, que num golpe de génio, ganhou direito a ser primeiro-ministro deste país, que agora é um autêntico paraíso/oásis (termo antigo, mas sempre actualizado).

    Do anterior Governo tivemos uma subida dos impostos (IRS / Imposto s/ combustíveis), cortes na função pública, reestruturação do sector público do Estado, muitos erros e dificuldades, mas temos que admitir, e é o que se lê nos artigos internacionais sobre Portugal, e pouco divulgados na nossa comunicação social, que lançaram as reformas que permitiram a recuperação económica do país: Golden Visa, Residente Não Habitual, nova lei do alojamento Local, e que tiveram um efeito muito positivo no sector imobiliário e da construção, bem como no Turismo.

    Voltando à actualidade, o nosso primeiro-ministro, apoiado por mais dois partidos (ou será o contrário?), sem qualquer medida reformista, pelo menos que seja pública, acabou definitivamente com a austeridade, e ganha todos os louros do contexto de riqueza onde vivemos.

    E como? Medida principal: devolução dos salários aos funcionários públicos, pensionistas, e redução gradual da sobretaxa do IRS. Para além destas devoluções de rendimentos (pagas pelos nossos impostos e dívida pública), tomou medidas energéticas anti-austeridade: aumento da taxa de imposto dos escalões mais elevados de IRS (aqueles que declaram o que ganham...), novos impostos do sal, dos açucares, aumento do IA, combustíveis, IMI, etc (vá lá escapou o aumento do IVA...), até no alojamento local aumentaram a matéria colectável de 15% para 35%. Ou seja, merecemos entrar no guiness book, como o país onde se deve pagar mais impostos, e onde se ganha menos.

    Hoje Portugal é irreal, continua com um sector público monstruoso, pago por um sector privado cada vez mais insuficiente para a torneira da despesa que não se consegue fechar, para além duma tributação esmagadora, com os verdadeiros serviços públicos: saúde e justiça, cada vez mais reféns das famosas cativações.

    Recordo-me do ínicio da intervenção do FMI, onde o DN, se não me engano, lançou vários dossiers sobre a despesa pública, e como estamos hoje?

    Porque razão a comunicação social não volta a esse tema? Porque não se fala mais das empresas públicas, das fundações, dos ministérios? Porque não se discute a gigantesca carga fiscal? Porque não se mostra à população para onde vai o dinheiro dos nossos impostos? Basta ler o Orçamento de Estado, e temos manchetes de jornais para 15 dias...

    Porque não se fala que este Governo apenas governa para a eleição e não para a nação?

    O que vai acontecer na próxima crise? É que a única dúvida é mesmo saber a data de início.

    Nuno Rocha