Os Cães do Monte

21 Set 2019 / 20:54 H.

    Nelson Mandela dizia que “Os problemas da África do Sul poderiam todos ser resolvidos à volta de uma chávena de café”.

    Tenho acompanhado com interesse a história dos cães do Monte. Eu penso que tem havido mal entendidos e a história tem sido mal contada. Eu estou convencido que a história verdadeira se passou assim:

    O Pároco do Monte, passados dois anos com os cães no seu quintal, deu conta que não podia continuar a cuidar deles. Como não sabe onde vive o seu colega (se vive numa casa com quintal onde possa recolher os cães ou se vive num apartamento de um quinto andar) e como não sabia se o seu colega estava interessado e preparado para, de um dia para outro, cuidar de cinco cães pensou em chamá-lo, amavelmente, pelo telefone e convidá-lo, para que os dois pudessem dialogar à volta de uma chávena de café e juntos, rindo e gracejando, sem intenção de culpar, ou humilhar ou enxovalhar o colega e pudessem encontrar uma solução. E se os dois não fossem capazes sozinhos, continuando a rir e a gracejar, iriam chamar outras pessoas que pudessem ajudar. É óbvio que ele nunca pensou culpar o colega. Isso faz-se no Calhau e nas Tascas depois de se ter bebido uns bons copos, mas nunca à volta de uma chávena de café sobretudo com um colega que supostamente é um amigo.

    Sabemos que uma pessoa com um mínimo de educação resolve tudo em paz, em harmonia, sem se mostrar mais poderoso que o outro e agora “Vamos ver quem ganha”. “Vamos ver quem tem mais aliados”. “Vamos ver quem tem mais força”. Debaixo de nenhumas circunstâncias um colega manda um ultimato a um colega quando há um problema que pode ser resolvido à volta de uma chávena de café, rindo e gracejando. Isso nem é humano nem cristão.

    Quem me dera que esta história que eu contei tivesse sido verdadeira. Mas foi apenas uma parábola daquilo que poderia tão facilmente ter acontecido se o Pároco do Monte soubesse soletrar a palavra “diálogo”, “humildade” e “amizade”. Mas é uma história que, infelizmente, não aconteceu. Eu estou convencido que um dos maiores cancros na Igreja é o abuso do poder. O poder não tem coração. Mas queria dizer ao Pároco do Monte que nessas “guerrras” ninguém ganha.

    O diálogo, a amizade, a confidencialidade e o respeito pelo outro continuam a ser a forma “normal” de resolver problemas. Ultimatos, ameaças e má educação continuam a ser cruéis, a afastar as pessoas umas das outras e a criar o inferno neste mundo.

    Francisco Oliveira

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