Nebulosidades

11 Nov 2018 / 02:00 H.

    Em declarações recentes o Presidente da República falou numa “nebulosa” de desinformação que poderá impedir os portugueses de vir a saber a verdade sobre o que se passou relativamente ao furto de material militar em Tancos e a todos os envolvidos neste enredo. Lembro-me que nos anos 80 do século passado a organização terrorista de extrema esquerda Forças Populares 25 de Abril praticou dezenas de ações violentas com recurso a armas e explosivos sendo responsável por atentados (13 mortos), assaltos a bancos, viaturas de transporte de valores, tesourarias das Finanças e empresas. As demoras e dificuldades na investigação levaram à prescrição de processos, o julgamento deu em nada e os terroristas assassinos escaparam incólumes. Será que algo de semelhante poderá acontecer na investigação em curso sobre os acontecimentos de Tancos? E já agora reportando-nos aos processos relativos à Operação Marquês e ao universo GES será que não poderão correr um risco semelhante? O jornal brasileiro “Folha de S. Paulo” sobre a falta de imparcialidade da justiça brasileira escreveu: “Em países mais sérios, a imagem da Justiça como uma deusa de olhos vendados representa o ideal de imparcialidade que os tribunais devem almejar em suas decisões, sem que o tratamento jurídico oferecido a uns seja distinto daquele dispensado a outros; no caso brasileiro, a faixa que cobre os olhos da Justiça apenas serve, no mais das vezes, para lembrar que ela não enxerga – e ponto”. Uma coisa é o Brasil outra é Portugal? Espero bem que sim! Entretanto bom seria que fosse dado conhecimento público das conclusões do inquérito em curso levado a cabo pelo Conselho Superior da Magistratura relativo às declarações do juiz Carlos Alexandre pondo em causa a aleatoriedade do sorteio que decidiu qual o juiz encarregue da fase de instrução do processo Operação Marquês. Creio que nada melhor do que a transparência por parte de quem exerce funções de estado, para dissipar toda e qualquer nebulosidade.

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