Mel em pleno Atlântico

16 Mai 2019 / 02:00 H.

    Muitos que se mantiveram sintonizados no canal habitual, falo claramente da CM TV, não vão estar a par deste pequeno e até saboroso cheiro de uma receita pouco habitual a qual concluída, servida ao público será designada a liberdade de expressão. Esta liberdade de expressão em muitas sociedades tem a pujança de estar presente como um artigo, exemplo dos Estados Unidos da América que se encontra no primeiro lugar, na Constituição.

    “Mel na sopa” para aqueles que em vez de se manterem na CM TV ou nas novelas de argumento cíclico com um decadente teor intelectual se ligou ao canal TVI 24 sentiu aquilo a que eventualmente é ao doce sabor de uma humilhação geral, para aqueles que têm conhecimento deste ambiente monopolizado chegando a um ponto de máfia siciliana, para os mais latos um momento de claridade. Aqui não querendo ferir ninguém, apenas marcando ponto, humilhação geral aquilo que por fora passa como um cartaz turístico de uma verdadeira ilha tropical com paisagens únicas, momentos ao pôr-do-sol inesquecíveis, sensações desconhecidas ao homem que apenas aqui são despertas pela excessiva humidade. Esta imagem foi desmascarada em directo na TVI24 pela jornalista Alexandra Borges e o seu grupo de painel, a partir de uma notícia de investigação sobre a empresa dos centros de inspecções na Madeira a qual foi alvo de uma análise metódica, seguida por umas críticas, de forma a se compreender este meio que se rege pelas suas próprias regras.

    Admirou-me o espanto da jornalista o qual é justificável, pensando eu, num meio pequeno como este, cerca de 250 000 habitantes, pacato, turístico onde tudo demonstra ser demasiado “anglaise”, isto virar um verdadeiro México torna-se assustador, uma quebra na lucidez. Curioso igualmente é questão social, a sociedade em questão vive num dia a dia teatral, escondendo este tabu que é o tema do estado ou de fazer frente a alguma instituição ou indivíduo de, passo a expressão, “alta sociedade” devido a prováveis posteriores represálias. É claro na Madeira, espaço pequeno, todos sabem algo da vida do vizinho, da prima, do primo, do vizinho do vizinho no entanto este é um tema comum o qual afecta em um público em comum, “a união faz a força” dizem, o poder da mudança está entre o povo só mantém quem cá está aqueles que querem se sujeitar.

    Antes demais seria de bom tom agradecer aqueles que na TVI expuseram a sua liberdade e vida em nome de um verdadeiro gesto de mudança, apesar de tudo somente o tempo dirá como será composta uma nova receita de forma a que haja uma maior integração da região no país, do madeirense não como uma nacionalidade mas como uma vertente, e um excelente sotaque.

    Luís Freitas

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