Ginjas: A estrada da Discórdia

16 Set 2019 / 02:00 H.

    Ponto prévio: Sou desalinhado da opinião corrente, prevalecente e dominante sobre a dita estrada.

    Ponto 1 - A designada estrada entre as Ginjas e os Estanquinhos já tem um troço asfaltado; precisamente entre as Ginjas e o Curral dos Burros, até à entrada para o Parque Empresarial de São Vicente.

    Ponto 2 - Na década de 70 do século passado, os serviços florestais resolveram abrir uma estrada entre o sítio do Miradouro e os Estanquinhos, qual ferida aberta em pleno coração da Floresta Laurissilva, com a agravante de ter sido destruído, em vários sítios, o Caminho Real ali existente.

    Ponto 3 - Há muito deveria ter sido encontrada uma solução para resolver a situação. Existem diversas soluções - a ilha de São Miguel, nos Açores, tem alguns bons exemplos - do ponto de vista ambiental sustentáveis e que não colocam em causa a classificação atribuída pela UNESCO e que não passam obrigatoriamente pela betonagem. A compactação com os respectivos arranjos acessórios de valetas e drenos para as águas pluviais, poderia ser uma solução.

    Ponto 4 - Paralelamente a isso, deveria ser recuperado o antigo Caminho Real em toda a sua extensão. Nas zonas onde foi cortado pela actual estrada, seria importante que o piso fosse igual ao original, até para servir de sinalética.

    Ponto 5 - Não é com comparações hiperbólicas que se resolvem os problemas, mas sim com realismo, bom senso e pragmatismo na busca de soluções adequadas e corretas na resolução de um problema que, de facto, existe.

    Ponto 6 - Os tempos de pré-campanha e campanha eleitoral são propícios a alguma demagogia e populismo. Nem por isso deixa de causar estranheza que alguém que defende a reintrodução de gado nas nossas serras, grite “aqui-del-Rey” que querem dar cabo da nossa floresta Laurissilva e pôr em causa a sua classificação como Património Mundial.

    Ponto Final - A ficar tudo como está, a actual “Picada” pode servir os amantes de TT, mas será sempre um factor de poluição visual e ambiental, uma chaga aberta no coração da nossa floresta Laurissilva!

    Rafael Jardim

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