Do Ser ao dever Ser

04 Dez 2019 / 02:00 H.

    Viver sem pensar, sem procurar compreender o como, o porquê e o para quê da nossa existência, o sentido da nossa vida, tanto pode ser uma forma cómoda de estar, como pode ser considerado uma petulância, uma desnecessidade, uma perca de tempo. Porém, também pode revelar ausência de sentido crítico, de falta de discernimento, de apatia ou indiferença face ao real, aos ideais ou à premência dum querer dever ser, para bem encaminhar os seus passos, opções e decisões em função dos objectivos definidos e eleitos a fim de os concretizar.

    Quando falamos em valores não nos referimos a meras abstracções ou a regras rígidas e morais que tanto incomodam algumas pessoas, mas a algo que antecede a acção, na medida em que esta é uma consequência do dever ser. Digamos que o valor é a norma da acção, não é a acção que julga o valor, mas são os valores que suscitam e julgam as acções. Porém, uma acção só pode ser julgada boa ou má, se de antemão já sabemos o que são “ os valores” e temos bem claro a noção de bem e de mal.

    É no fazer e no agir que concretizamos os valores e com eles nos aperfeiçoamos. Podemos afirmar que os valores têm uma dimensão objectiva, independentemente do sujeito, na medida em que eles representam qualidades, propriedades, perfeições que existem encarnadas no mundo material e cultural, porém não são criados arbitrariamente pelos homens. A subjectividade dos valores reside no facto de eles só existirem enquanto relacionados com o homem, com o seu pensar e agir, com o sentido que dá à vida.

    A referência ao sujeito através do qual os valores se manifestam não quer dizer que seja ele a decidir o que é valoroso ou não. O sujeito não é a medida dos valores, se o fosse cairíamos num subjectivismo ou relativismo que anularia a sua validade universal, transcendente e magnânima que lhes está subjacente e é suposto a ética acrescentar à existência humana no sentido de a aperfeiçoar.

    Jamais os valores devem ser subestimados ou desvalorizados, pois neles residem a grande força para capacitar o homem para o Bem e a minimização ou negação do valor ético na família, na formação dos jovens, na sociedade, tem como consequência a degradação física, moral e espiritual. Esta afirmação não é uma imposição, mas uma constatação que impele a defender não só os valores como balizamento da estrutura humana, mas também nos permite afirmar que eles são um dever para toda a sociedade, portadora de vontade e liberdade, consequências duma consciência bem formada, que substitui o querer pelo dever e o dever pelo dever ser.

    Maria Susana Mexia

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