Apelos a Deus e à Virgem Santa

21 Set 2019 / 02:00 H.

    Tal como ter fé, pagar promessas não tem idades. As pessoas acreditam no seu DEUS, na VIRGEM ou nos ANJOS e a eles recorrem por diversos motivos. Uns para agradecerem pedidos alcançados, outros para pedir-lhes proteção para várias situações da sua vida, incluindo um futuro melhor.

    Vários podem ser os motivos que levam as pessoas a recorrerem a Deus e aos seus SANTOS E ANJOS de proteção.

    Contudo – e apesar de não haver idades para tais procedimentos, como atrás já referimos – estranhamos e de certo modo nos chocamos ver tanta JUVENTUDE com a sua vela na mão e, outros, um pouco mais velhos, muitas vezes carregando filhos pequeninos ou levados pelas mãos, nas procissões, numa manifestação aparentemente penosa e a dar a ideia de que se trata mais de pedidos do que de agradecimentos.

    E isto é de pensar, é de meditar, mas não é de estranhar.

    Vivemos num País – salvo algumas exceções – que nada tem de garantido para os seus jovens concidadãos. Nem no presente e muito menos no futuro. (Basta ver os constantes e dramáticos suicídios).

    É um País que, através dos tempos, tem tido na classe política o seu elo mais fraco. Diríamos mesmo, mais incapaz, mais incompetente, mais irresponsável.

    Após o regime ditatorial, surgiram as portas da liberdade e com elas a convicção de que tudo seria diferente, aliás, como fora prometido nos momentos eufóricos da REVOLUÇÃO.

    Nada mais utópico. Não fora a milagrosa entrada na Comunidade Europeia, sinceramente não sabíamos qual seria o estado deste pobre e explorado País.

    De muito boa gente fica a ideia de que o problema não era a existência do fascismo, mas não serem eles os fascistas, não era o capitalismo, eram eles não serem os capitalistas.

    Daí, os milhões e mais milhões, uns dados outros emprestados, que deveriam servir para desenvolver o País, criar as condições necessárias para dar ao seu povo a melhoria de vida que aspiravam e que grande parte foram selvaticamente esbanjados, permitidos que fossem extorquidos por bandos de malfeitores de colarinho branco, de várias cores políticas, dando azo à criação de uma sociedade endividada, assente no salve-se-quem-puder, no emprego precário, nos impostos descomunais, no oportunismo e capitalismo selváticos, disfarçados com bailaricos, com a mentira e promessas nitidamente irrealizáveis.

    É por isso, meus amigos, que o nosso povo, sobretudo os mais jovens, descrentes, enganados, sem ver qualquer luz ao fundo do túnel, apegam-se cada vez mais a DEUS e aos seus SANTOS protetores, na desesperada ajuda para que tenham o tal futuro que os SANTOS DA TERRA – quer do governo ou da oposição – sempre só lhes prometeram e que ainda hoje lhes prometem.

    Vêm aí eleições – regionais e nacionais – e acreditem, a grande maioria dos jovens e adultos estão conscientes de que nada se modificará, independentemente de quem as vença.

    São muitos anos a bater na mesma tecla. A descrença é (quase) total.

    Nada nos mostra ou tem mostrado que o futuro possa ser diferente.

    Agora, isso sim, nas noites das eleições (de cá e de lá) TODA A GENTE APARECERÁ A DIZER QUE GANHOU, mas honestamente só uma profunda minoria é que terá razões para cantar vitoria.

    Os que, pelo menos, durante quatro anos terão a sua vida resolvida.

    Quanto aos outros, os que já rezam, só lhes restam uma solução. Continuarem a rezar!

    Juvenal Pereira

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