Agricultura e Ambiente em risco

08 Nov 2019 / 02:00 H.

    Susana Prada, Secretária Regional do Ambiente e Recursos Naturais, disse recentemente que “a Madeira vive situação insustentável devido às perdas de água”, e acrescentou ainda que, “diminuir urgentemente as perdas de água é o grande desafio dos próximos tempos”. Paralelamente a estas afirmações, obviamente baseadas nos tempos difíceis que aí vêm, e na já preocupante realidade das alterações climatéricas, a minha pergunta à Sra Secretária é: Para além das promessas feitas, baseadas num problema que se agoniza ano após ano, o que é que na prática se está a fazer concretamente, para minimizar a carência de água de regadio visando prioritariamente as zonas sul da ilha, nomeadamente nos concelhos de Sta Cruz, Ribeira Brava e Ponta do Sol? E já agora, neste último concelho onde no verão as temperaturas bateram novos recordes, algumas culturas tiveram de ser abandonadas, que é na prática o que acontece com sementeiras e plantações de inverno, nomeadamente semilhas, favas, feijão verde, couves, etc. Sabemos que o passado mês de outubro foi o mais quente, com valores de temperatura nunca antes registado, no entanto a distribuição da água de rega funciona como à dez ou quinze anos atrás. Incompreensível! Quer dizer, os agricultores pagam um ano de água de regadio para afinal terem direito, apenas, a pouco mais de cinco meses de regas de giro. A partir daí começam as brigas e os desentendimentos entre estes. E o que fazem os levadeiros o resto do ano? O que se pede à Sra Secretária é que pondere sobre a necessidade de estender a distribuição ordenada da água por tempo indeterminado. Assim, e considerando ser esta uma necessidade adaptada não apenas às condições climatéricas, mas também à sobrevivência humana, faria todo o sentido valorizar e respeitar os agricultores (alguns em especial) que não têm a sorte de regar quando querem e precisam. A distribuição justa e ordeira de um bem precioso como é a água, favorece também o meio ambiente e a paisagem rural. É que, o que vemos em pleno outono, é uma paisagem seca, árida e abandonada. Plantas, árvores e arbustos a morrerem, nalguns casos até em alguns jardins públicos, e isto não abona favoravelmente ao todo regional nem às políticas de gestão da água. Temo que, tardiamente, se fará um trabalho numa escala suficientemente abrangente, de aproveitamento e armazenamento de água que, permita e satisfaça a terra e o homem.

    Vicente Sousa