A pandemia, a crise económica e o Governo...

27 Mar 2020 / 02:00 H.

    Sinceramente, acho que ainda ninguém percebeu o que é que aí vem: nem o governo, nem os bancos, nem a população em geral. Esta é a única explicação que eu encontro para as medidas anunciadas até então. É verdade que tudo isto é novo para nós e que apanhou toda a gente desprevenida, incluindo o Governo, mas há coisas que não é preciso pensar muito para se perceber que são óbvias.Diferimento do pagamento de impostos e contribuições por parte das empresas?!... Aplicação de moratórias sobre as prestações mensais dos créditos à habitação das famílias?!...Isto não são medidas. Isto é antecipação de factos. Com diferimento ou sem diferimento dos prazos de pagamento, a verdade é que tanto as empresas como as famílias não vão ter dinheiro para pagar o que quer que seja: as empresas não vão ter dinheiro para pagar as contribuições ao Estado, porque estão fechadas, e as famílias não vão ter dinheiro para pagar as suas prestações ao banco, porque estão em casa sem trabalhar e, muito em breve, sem receber... Eu acabei de constatar que já recebi o meu salário deste mês, mas desconfio muito que volte a receber o salário por inteiro no próximo mês, independentemente de eu estar em teletrabalho ou não.Uma medida séria seria, por exemplo, o Governo dizer abertamente às empresas, trabalhadores e população em geral que, neste período de quarentena, que não se sabe quanto tempo vai demorar, ninguém teria de pagar nada a ninguém e que teríamos de nos perdoar uns aos outros, não os nossos pecados, mas as nossas dívidas. Neste período de “lay-off”, o Estado teria de perdoar às empresas o pagamento de impostos e contribuições, os bancos perdoarem às famílias o pagamento das prestações vencidas e os trabalhadores perdoarem às empresas a falta de pagamento dos seus salários. Só assim poderíamos recomeçar a nossa vida e, aos poucos, recuperar aquilo que todos vamos perder...Sim, eu sei que isto seriam medidas aparentemente tresloucadas, mas a situação atual não é para menos. E acredito verdadeiramente que, se assim não for, tudo vai correr muito mal... muito pior do que se assim tivesse sido!

    Renato Marques