A Casa da Luz

08 Nov 2019 / 02:00 H.

    A empresa de electricidade da Madeira, popularmente conhecida como A Casa da Luz, está a braços com grandes dívidas.

    Pensava eu que a Empresa de Electricidade tinha como fins exclusivos produzir electricidade e distribui-la pela Ilha. Porém, há muitos interesses em questão. Como empresa que é, investe, negoceia, estabelece acordos e, como lida com dinheiros públicos, faz negócios ruinosos.

    Segundo uma reportagem do DN do dia 4/11/ 2019, as razões das dívidas são as seguintes: 1- Comprou acções no BANIF e perdeu 4,6 milhões de euros. Os bancos e as acções trazem sempre prejuízos para alguém. Neste caso apanhou a EEM, que é uma empresa que gere dinheiros públicos. Ou seja, sobrou dívida para o povo. 2- Celebrou um acordo com o Barclays, chamado “contrato swap” e a EEM perdeu milhões de euros. 3 - Tem clientes caloteiros. Não devem ser aquelas famílias que vivem com o salário mínimo nem pessoas que com pensões de 300 euros. Esses não gastam muito e, se não pagarem, estão sujeitas a ficar às escuras. São entidades oficiais que não pagam o que gastam. Algumas têm acordos para pagarem dívidas entre os 5 e os 30 anos, sem juros. E ainda clientes particulares. Será que está aqui incluída a Fundação Social Democrata, que há anos tinha uma grande dívida de electricidade?

    Ainda se fala da compensação tarifária e do negócio das algas marinhas. Este negócio das algas foi apresentado ao público como uma grande façanha, pois através das algas fariam coisas especiais para a humanidade. Como diz o povo “quando a esmola é grande o santo desconfia” ou “ Quando vejo mais salsa que peixe, não me dá vontade de comer.” Segundo alguém afirmou na campanha eleitoral, este negócio está a ser um fracasso. Era previsível. Pelo estardalhaço que fizeram e com dinheiros públicos, só podia chegar aqui.

    E por fim, a reportagem diz que Rui Rebelo, que esteve à frente da EEM durante 18 anos, e está de saída por razões de saúde e de idade.Ó senhor Rui Rebelo, a reforma é aos 66 e não aos 64 anos. Segundo a dita reportagem, este senhor ganha 6 mil euros mensais. Com um ordenado destes acho que deveria deixar a EEM em melhores condições. Só mais uma pergunta: atendendo a que a maioria dos madeirenses ganha o salário mínimo e no máximo 900 ou 1000 euros, por que razão ganha 6000 euros? para que quer tanto dinheiro?

    Agora, vamos à grande preocupação: a empresa não pode ser privatizada por causa das dívidas. A Empresa de Electricidade é um bem público, pertence ao Povo da Madeira, deve ser bem gerida e não privatizada. Para termos as centrais hidroeléctricas da Calheta e da Serra de Água, muita gente enfrentou perigos e passou fome e frio. Morreu o António, um jovem, filho do João Silva e da Iria. Tentou agarrar-se a um ramo, este partiu-se e caíu da rocha abaixo. Sei que alguns trabalhadores cairam num abismo, creio que nos Caldeirões e não tiveram direito a funeral porque era impossível tirá-los de lá. Levaram o padre da freguesia para jogar água benta e encomendar as suas almas a Deus. Isto é apenas um apontamento dos muitos sacrifícios e perdas de vidas humanas para edificar o que hoje é a Empresa de Electricidade da Madeira.

    Em nome dos que sofreram, dos que morreram e dos que assistiram a tanto trabalho e sofrimento, respeitem estes bens edificados e não entreguem ao poder económico.

    Conceição Pereira

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