Acordo Ortográfico

09 Fev 2012 / 03:00 H.

    Fátima Soares

    Assídua leitora do "Diário de Notícias" desde a 1.ª hora, queria aqui deixar o meu apoio e felicitar o Dr. Vasco G. Moura pela medida tomada no começo do seu trabalho no CCB, em rejeitar de imediato o Acordo Ortográfico. É um autêntico absurdo o que se está a fazer pela nossa língua, vexando-a, digamos, ao aceitar os tropeções que o acordo lhe impõe a bem sabe-se lá de quem e cujo o fim se antevê desastroso para os que agora começam a dar os primeiros passos na aprendizagem da língua.
    Eu, como professora de línguas, abomino semelhante acordo que só trás como consequência confusão e angústia aos novos aprendizes, inclusive os estrangeiros, pois vai tornar a língua confusa e sem razão visível de melhoria pondo de lado os nossos nomes maiores da língua Portuguesa num terrível dilema: o que é certo, o antes do Acordo Ortográfico ou depois dele?
    Que fazer dos dicionários, gramáticas, toda a riquíssima literatura portuguesa moldando-a de modo a formar uma outra língua que não a nossa língua mãe de antanho, num arrazoado de falar e escrever sem nexo.
    Quando os que aprenderam connosco a falar, a amar a Língua de Camões, Angolanos e Moçambicanos rejeitam tal Acordo Ortográfico, somos nós que levámos o nosso falar por todo e a todo o mundo, e agora vamos apagar tudo o que aprendemos e ensinámos para usar uma nova língua, que soa mal e pior se escreve.
    Apelo a todos os professores de Português, em especial, para que lutem nesta cruzada de abolir tal acordo maquiavélico que não augura nada de bom para o conhecimento desta língua tão bela e só vai enxovalha-la.
    Nós que ensinamos línguas como vamos explicar estes fenómenos aberrantes aos povos que inteligentemente continuam a preservar as raízes dos seus falares, sejam eles Francês, Inglês ou Alemão?!
    E, já agora, que fazer das gramáticas excelentes do Prof. Lindley Cintra, e de muitos outros que nortearam o nosso saber? Tive professores de grande nível no meu tempo de aluna da Faculdade de Letras de Lisboa, professores que em si eram o sumo do saber da Língua Portuguesa, além de Lindley Cintra, M.ª Lurdes Belchior, David Mourão Ferreira e o brasileiro Serafim da Silva Neto. Por esta "bitola" agora gizada entre os "Sábios" de Portugal e Brasil, tudo o que se faz, se estudou e defendeu como purismo da língua, será letra morta?
    Que diriam Pessoa, Camilo, Camões ou mesmo Saramago deste desaforo?