Insustentável

17 Set 2010 / 02:00 H.

    João Freitas

    Uma das medidas decididas pelo governo no PEC para a correcção do déficit público português foi a dos cortes nos subsídios sociais, . Assim, espera o governo vir a  poupar 90 milhões de Euros, este ano e 200 milhões de Euros, em 2011.

    O Público, de 2 do corrente, noticiou que "entre 2006 e 2008, cerca de 129 mil processos de execução fiscal relativos a uma dívida superior a mil milhões de euros prescreveram nos serviços de Finanças de Lisboa e Porto" e que "com base numa amostra dos 126 maiores desses processos, a Inspecção-Geral de Finanças (IGF) concluiu que metade deveu-se à "inércia dos serviços" e que, nesses distritos, "não existem mecanismos de validação das prescrições".

    Notícia recente também nos deu a conhecer, em resultado de uma auditoria do Tribunal de Contas às subvenções parlamentares, em 2006 , na Assembleia Legislativa da Madeira, que as despesas efectuadas pelos partidos políticos não foram justificadas num montante superior a 4,6 milhões de Euros.

    Estas notícias contribuem para descredibilizar o Estado e os seus agentes pela falta de maior rigor na gestão do bem comum, onde se vêm a verificar desperdícios de recursos, num tempo em que a economia atravessa sérias dificuldades, com o desemprego e as falências de empresas em crescente. E, lamentávelmente, verificamos que, quando da necessidade de recursos financeiros, como evidenciado, o Estado efectue cortes no segmento da população que já vive em consideráveis dificuldades e, que ainda tenhamos de ouvir o Governo afirmar que tais medidas são em nome de uma maior justiça social....!!!

    A agravar a nossa situação económica, o facto de pertencermos ao clube dos dez  países que estão em risco de incumprimento da dívida pública, o que torna expectável que os juros continuem em subida quando da obtenção de futuros empréstimos.

    A este ritmo a insustentabilidade tornar-se-à mais evidente, e a retórica do discurso político dificilmente travará a vertiginosa velocidade da degradação da nossa economia e de perigosamente virmos a ser confrontados com o Estado Falido.