Ser Geógrafo

02 Set 2010 / 02:00 H.

    A Direcção da Associação Insular de Geografia

    O que nos leva a escrever esta carta prende-se com o direito que nos assiste, enquanto Geógrafos, de nos sentirmos injuriados pelas palavras escritas pelo senhor Bernardo Jardim Fernandes neste mesmo espaço a 31-08-2010.
    Porque tememos os efeitos perversos da ignorância pluralística que a difamação de uma classe profissional acarreta, consideramos ser nosso dever elucidá-lo sobre a importância da Ciência Geográfica e o papel do Geógrafo na sociedade.

    A Geografia é hoje definida "latu sensu" como o estudo das relações entre o espaço e as sociedades. Daí a necessidade,  hoje experimentada pelo Geógrafo, de recorrer a outras ciências como à Geologia, Oceanografia, Meteorologia,  Ecologia, Matemática , Estatística , bem como às Ciências Sociais, tais como a Economia, Sociologia, História e Política. Tal facto, leva a que as licenciaturas em Geografia possuam uma abrangência disciplinar bastante extensa que vai do espectro físico ao humano, pois a Geografia é o estudo do planeta enquanto morada da humanidade, focalizando-se na organização da sociedade e nas suas relações com espaço físico.
    Contudo, o conhecimento do Geógrafo não se cinge a esta formação de base. Por norma, esta formação de base é complementada por uma especialização numa área de trabalho mais específica, como acontece aliás com a maioria dos profissionais qualificados. O Geógrafo pode dedicar-se ao estudo de uma determinada região ou especializar-se numa área desta ciência (Planeamento e Gestão do Território, Urbanismo, Geomorfologia, Geografia do Povoamento, Geografia Política, Sistemas de Informação Geográfica, Ensino, Riscos e Catástrofes Naturais ou Tecnológicas, Fitogeografia, Climatologia, Estatística, Geografia Humana, Geografia Regional, Geografia do turismo, etc…)

    No seu trajecto de século e meio, ainda que com raízes que remontam aos pioneiros gregos dos séculos IV e III AC, a Geografia tem sabido adaptar-se e fornecer respostas pertinentes e necessárias em diferentes contextos temporais e sócio-espaciais. Nos últimos anos, a perícia do conhecimento geográfico e o seu contributo para a resolução dos problemas da sociedade moderna, tem levado a que a presença dos geógrafos seja cada vez mais necessária nas equipas de planeamento e pesquisa, onde a elaboração de pareceres técnicos relacionados com a gestão territorial, ambiental e regional se tornam indispensáveis à resolução dos problemas.
    Entretanto, a diversificação das práticas profissionais dos geógrafos acompanha as tendências gerais da sociedade. As actividades mais antigas, têm sido capazes de inovar e de se readaptar, juntando-se um conjunto de novas oportunidades, em áreas como o turismo, a comunicação, a gestão e o tratamento de informação geográfica ou a análise de riscos.

    Na RAM, um número significativo de profissionais desta área do conhecimento exerce funções nos mais diversos organismos e empresas públicas e privadas, dando um contributo significativo para o desenvolvimento e bem-estar da população desta região, pelo que, consideramos da mais vil iniquidade associar uma aversão pessoal e particular ao desrespeito e menosprezo por uma classe profissional.  Como tal, não podemos deixar de repudiar as declarações ofensivas do senhor Bernardo Jardim Fernandes para todos os que de forma responsável e séria exercem a profissão de Geógrafo.

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