A birrenta Serena

13 Set 2018 / 02:00 H.

    Eu vi o encontro colado ao ecrã. A Final do USOpen entre duas tenistas. Entre uma mulher e uma jovem rapariga. Ambas de cor, e quase americanas dos pés à cabeça. Uma afro americana. Outra nipo americana e sangue haitiano. Uma birrenta, malcriada e com mau perder, embora se chame Serena e campeã até ali. A jovem e bem mais serena, tem nome de Osaka. Rapariga tão bonita quanto a Naomi. A outra que desfila nas passereles, e exibe a sua cor também com elegância e com estórias. Uma, já muito batida nos tennis courts. A jovem estreante, a bater-se por se impor e chegar à glória e fazer história. No alto da cadeira, um árbitro sereno e competente. Arbitrou como manda o regulamento e cumpriu com o dever. A tenista birrenta, a quem se exigia serenidade, partiu o jogo a meio quando sentiu caminhar para a derrota. Atirou-se ao português que ajuizava, e de seguida ofendeu e partiu a raquete, como que a dizer, “isto é o que merecias te fizesse”. O juiz do alto da sua sabedoria, manteve-se sereno. A afroamericana, acabou derrotada com superioridade por Naomi Osaka, que soube manter-se calma e concentrada, durante a barafunda provocada, que a podia perturbar, e talvez até fosse essa a intenção da veterana, a sofrer das dores de mãe recente, e a querer trunfar por fora. Depois segui-se o depois. Críticas à sua actuação e comportamento agressivo, nisso demonstrando a sua secreta pancada. Vaiada e caricaturada por uns, amortizada por outros em jeito de passe solidário. Serena Williams perdeu, e caiu aos pés de Naomi Osaka, sem apelo nem agravo, e que devia penitenciar-se a Carlos Ramos, o árbitro e não ao cantor de outrora. Mas a canção da vitória, “Não venhas tarde” que se ouviu, saiu da voz da vencedora, a quem coube, com humildade que se lhe não impunha, nem estava obrigada, pediu desculpa por ter ganho. Viva Naomi Osaka, que chegou cedo e com superior mérito ao grande título, em solo que ambas pisam, e que o mundo assistiu!

    Joaquim A. Moura

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