Região vai comprar espólio de António Aragão

11 Jun 2019 / 02:00 H.

A informação avançada por Marcos Aragão Correia, durante a noite de domingo, foi confirmada, ontem, por Miguel Albuquerque. A Região vai adquirir o espólio de António Aragão. “Já dei instruções à senhora secretária do Turismo e Cultura para entrar em contacto com o representante legal dos herdeiros e vamos adquirir o espólio, que é importantíssimo na arte portuguesa.”

Ao DIÁRIO, Miguel Albuquerque disse que recebeu a carta do filho de António Aragão e respondeu “logo”. Uma brevidade com que pretende também ver concretizada a compra. A ideia do presidente do Governo Regional, é “fechar o acordo até final da legislatura”.

Sobre o que fazer com as peças que integram o espólio, ainda não há certezas, nem mesmo uma ideia concreta. “Depois vamos ver. O que interessa é adquirir o espólio e não se perder. É um espólio bastante significativo no movimento da arte moderna, não só no contexto regional como nacional. Como sabem, o Dr. Aragão era um artística multifacetado, fazia cerâmica, desenho, pintura, escultura e foi um artista de vanguarda, designadamente no movimento surrealista português. Penso que é muito importante adquirir esse espólio, que marca uma fase importante da criatividade e da arte moderna em Portugal e também na Madeira.”

Numa nota à imprensa, na noite de domingo, Marcos Aragão Correia da conta da intenção do governo, nos seguintes termos, com uma crítica severa à CMF. “A família de António Aragão recebeu missiva datada de 3 de Junho de 2019, assinada pelo Exmo. Sr. Presidente do Governo Regional da Madeira Dr. Miguel Filipe Machado de Albuquerque, confirmando que a Região Autónoma da Madeira irá proceder à aquisição do Espólio de António Aragão ainda durante a corrente legislatura autonómica. Esta decisão vem prestar o devido reconhecimento da Madeira a um dos seus maiores vultos, António Manuel de Sousa Aragão Mendes Correia, e limpar o enxovalhamento criminoso a que Paulo Cafôfo, actual presidente da Câmara Municipal do Funchal, sujeitou o preciosíssimo Espólio Artístico de António Aragão”.

O enxovalhamento, a que se refere o filho de António Aragão , está relacionado com a desistência de compra, por parte da CMF, que se havia comprometido a fazê-lo, parcialmente, por 166 mil euros.

O processo em causa passou, inclusivamente, por uma queixa na justiça, realizada pelo filho do artista, falecido em 2008, por venda considerada indevida de três obras em Lisboa. Foi em Setembro de 2017. Antes, em, em Junho a CMF tinha resolvido o contrato de compra da colecção de António Aragão e tinha colocado à disposição da leiloeira e indirectamente do herdeiro os 21 lotes que compunham o conjunto de peças, que se encontravam já na sua posse. Deu-lhe inclusive um prazo de dez dias para levantar as obras que se entravam no Teatro Baltazar Dias, não se responsabilizando a partir daí pela perda ou deterioração dos mesmos. E. P.

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