Música supera política na Eurovisão

Os concorrentes da Alemanha e San Marino gravaram na Madeira. O da Irlanda chega hoje. Todos vão promover as ilhas através de experiências cá

26 Mar 2018 / 02:00 H.

“No final, se for uma boa canção e o artista for bom, não importa qual é o país de onde vem, a melhor canção vai ganhar”, acredita Michael Schulte, concorrente da Alemanha à 63.ª edição do Festival Eurovisão da Canção, que se realiza em Maio na Altice Arena, em Lisboa. O músico esteve nos últimos dias na Madeira a filmar o bilhete-postal que o vai apresentar no concurso, tendo destacado a simpatia das pessoas, a beleza das paisagens e a experiência em geral. Além de Schulte, também Jessika Muscat e Jenifer Brening de San Marino estiveram na ilha para gravações no passado fim-de-semana. Já Ryan O’Shaughnessy, da Irlanda, chega hoje ao Porto Santo, onde vai mergulhar.

“Gosto das pessoas aqui, são muito simpáticas, muito acessíveis, o hotel é simpático e claro, tivemos o bom tempo. Pude apreciar o sol, na Alemanha ainda neva e está gelado, foi muito bom”, disse o cantor, num balanço a esta aventura de poucos dias que terminou ontem, pelo menos na lha. A aventura maior ainda está para vir. Toda a experiência de participar no Festival da Eurovisão tem sido “alucinante”, contou. De repente há um enorme interesse e anda de entrevista em entrevista, especialmente no seu país. “Queremos atenção para a nossa música e eu nunca tive tanta atenção na minha vida”, confessou o cantor, antecipando que com a aproximação do dia 12 de Maio, dia da final, o rodopio será ainda maior.

De malas aviadas e com as memórias bem vivas, o cantor disse que tem como objectivo ficar no top 10 da final. Reconhece que pontualmente a componente política poderá ter influência nas pontuações, países que dão pontuações aos seus vizinhos, ou até mesmo porque partilham o gosto musical, mas no final, em última análise, acredita que tudo se resume à música. Na Alemanha há ideia de que os países não lhes dão pontos porque não gostam do país, mas há depois vitórias (1986 e 2010) a provar precisamente o contrário, exemplificou.

Pela primeira vez o concurso é acolhido por Portugal, depois de Salvador Sobral ter vencido a edição de 2017 com o tema ‘Amar pelos dois’. Participam 43 países, tendo a organização optado por gravar os cartões-postal de todos os concorrentes no país, numa campanha com o mote ‘Welcome to Portugal!’. Assim, as várias comitivas têm sido encaminhadas para os sítios mais emblemáticos, de Norte a Sul e ilhas. Três equipas de produção da produtora Até ao Fim do Mundo estão a acompanhar estas deslocações, tendo os referidos três países sido atribuídos à Madeira.

Nesta passagem pela Região, Michael Schulte teve oportunidade de ir ao Rabaçal, visitar o miradouro dos Balcões e andar de parapente na zona Oeste da Madeira. Já as concorrentes de San Marino andaram pelas ruas do Funchal, pelo Parque de Santa Catarina, foram de teleférico até ao Monte e desceram de carro de cesto até ao Funchal. O cantor irlandês só chega hoje, vai directamente para o Porto Santo, onde vai fazer mergulho.

Sobre as suas possibilidades, começa por dizer que é muito difícil ganhar, que todos querem e que é complicado fazer projecções. “Espero chegar ao top dez, seria um resultado muito bom para mim e para a Alemanha, depois dos últimos três anos em que ficámos, acho duas vezes em último, a outra em penúltimo. Só pode ser melhor, suponho”.

Sobre o tema ‘O Jardim’, defendido por Cláudia Pascoal, composto por Isaura em representação de Portugal, acredita que é uma boa canção. “Eu gosto, eu inclusive ouvi as canções da pré-selecção e gostei de muitas. Eu acho que foi uma boa escolha”.

Michael Schulte estava de férias no Porto quando Salvador Sobral venceu o Festival Eurovisão no ano passado e ficou encantando com o tema. Depois de ele ganhar o concurso, estava sempre a ouvir a canção, confessou. “Eu não sei sobre o quê ele estava a cantar, eu não falo português, eu gosto da melodia e da ternura, acho que é um grande cantor e havia mesmo alguma coisa de diferente. Na realidade até tentei cantar”, contou.

Uma porta portuguesa que se abre ao mundo

Quem também participa, mas do outro lado, é Mafalda Almeida, da produtora. “Eles adoram a ilha e nós também adoramos”, confessou. Há amizades que se criam, mas a alma continua lusa e é por Portugal que vai torcer, por Cláudia Pascoal. “Eu gosto muito da música e acho que tem muito potencial”. Fala do toque de electrónica, da identidade portuguesa e do lado mais emocional.

Mais habitada a fazer ficção, Mafalda e os colegas da Até ao Fim do Mundo vão assegurar o cartão-postal dos 43 participantes. O que mais gosta nesta experiência é o espírito de equipa. “Somos poucos mas damos todos o nosso melhor e conhecemos estas pessoas fantásticas que confiam em nós e também estão aqui a dar o seu melhor”.

Será a produtora a editar os postais, todos com a mesma estrutura. Os artistas passam por uma porta para a descoberta de um sítio, têm uma experiência e terminam com uma selfie num local emblemático. A concorrente portuguesa vai gravar em Lisboa, no navio-escola Sagres.

No âmbito da Eurovisão, Mafalda Almeida já esteve em Podence, em Aveiro, Ílhavo e agora na Madeira. Estará depois no Caramulo, na Serra da Estrela, na Costa Vicentina e em Lisboa.

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