Época em risco num cenário de incerteza

Associações admitem que podem ficar títulos por atribuir em 19/20

31 Mar 2020 / 02:00 H.

As competições regionais de várias modalidades também estão em risco devido à pandemia de covid-19. Com os campeonatos suspensos e provas adiadas, as associações regionais já começam a olhar para a próxima época. Quanto a 2019/2020, na melhor das hipóteses, o regresso das competições não deverá acontecer antes de Julho/Agosto, mesmo sabendo que algumas provas vão ficar por realizar e títulos por atribuir. Mas tudo é ainda uma incógnita.

Provas de pista sofrem mais

Policarpo Gouveia admite que dificilmente a competição vai regressar antes de Agosto. O presidente da Associação de Atletismo da Região Autónoma da Madeira (AARAM) também diz que a situação é mais complicada em relação às provas de pista: “Neste momento não estou a ver muitas hipóteses de reatar a época desportiva, principalmente a nível da pista. Por diversas razões. Os atletas deixaram de treinar, mesmo que façam o seu exercício físico em casa, nunca será um treino de qualidade”.

Já ao nível das provas de estrada, trail e montanha, Policarpo Gouveia acredita “que, se correr tudo bem, essas competições podem retomar o ritmo normal a partir de Agosto”. “O mais certo é não haver qualquer competição até Agosto, mas tudo vai depender da evolução do momento”, acrescenta o presidente da AARAM, em declarações ao DIÁRIO. “O que interessa realmente, a todos os atletas, treinadores, dirigentes, é cumprir com aquilo que tem sido feito para ultrapassar esta fase o mais rapidamente possível e isso passa por ficar em casa”, sublinha Policarpo Gouveia.

A época de atletismo termina a 30 de Outubro. O objectivo passa por reagendar alguns eventos, sobretudo ao nível das provas de estrada, trail e montanha. “Quando chegar a um momento de normalidade vamos recalendarizar e tentar fazer o máximo de eventos possíveis, porque as pessoas precisam de retomar essa normalidade e isso passa pela prática desportiva”, observa Policarpo Gouveia.

O presidente da AARAM admite, neste cenário, que podem ficar por atribuir alguns títulos relativos a esta época. “É uma situação de excepção e vai ser um ano em que alguns títulos não vão ser atribuídos, é um facto”, acrescenta.

Prioridade é a época 2020/2021

O voleibol também tem todas as competições suspensas e ainda sem data para o regresso. A prioridade passa, sobretudo, por assegurar um arranque normal da temporada 2020/2021. Mas ainda são muitas as incertezas, conforme destaca, ao DIÁRIO, o presidente da Associação de Voleibol da Madeira (AVM), Edgar Garrido: “Não sabemos se vamos retomar as competições regionais desta época 19/20, não sabemos se tal é possível. Estamos a acompanhar a evolução do surto, tanto no resto do país como na nossa Região, e quando surgir sinais de abrandamento e sem perigo para a saúde pública, aí vamos avaliar a situação e ver o que vamos fazer com as competições”.

“É prematuro” falar sobre o retomar das competições, considera Edgar Garrido, tendo em conta que o pico da pandemia em Portugal está previsto para Maio: “Vamos acompanhar e monitorizar a situação, ver quais são as directivas da Federação Portuguesa de Voleibol”. As principais competições nacionais de voleibol a nível sénior estão suspensas até 31 de Agosto. Federação, associações regionais e outros agentes da modalidade estão a acompanhar o evoluir da situação. “Esta época é uma situação muito excepcional e dada a sua atipicidade, toda a gente sabe que será mito difícil o seu regresso dentro da normalidade”, considera. “Queremos dar prioridade ao início normal da próxima época. Esperemos que em Setembro a situação já esteja controlada e que as nossas vidas possam seguir o seu ritmo normal”.

De qualquer forma, concluir esta época em Setembro, por exemplo, é um dos cenário ainda em “cima da mesa”, conforme destaca Edgar Garrido: “Até podemos terminar esta época noutros moldes competitivos, mas é preciso saber quando é que podemos regressar à competição”.

1.ª volta pode decidir campeões

A presidente da Associação de Basquetebol da Madeira (ABM), Sandra Rebolo, admite, em declarações ao DIÁRIO, que “ainda é prematuro tomar decisões”. “Só quando as aulas começarem, só quando existir segurança é que a ABM vai abrir portas para as suas competições”, acrescenta, deixando uma das hipóteses em cima da mesa: “A maior parte dos campeonatos da Madeira já tem concluída a primeira volta. Como a primeira volta permite aferir as classificações, podemos dar assim por encerrada a competição”.

Mas também admite um cenário oposto: “Se tivermos condições de reiniciar os campeonatos em Julho, provavelmente ninguém vai ter férias e vamos procurar concluir as provas. Temos de dar algum tempo aos clubes, nesse caso, para prepararem as equipas para o regresso à competição”.

Além disso, terminar a época actual só no início da próxima “não está fora de questão”. “A associação vai apresentar propostas, mas quem decide acaba por ser os clubes. É tudo uma questão de calendarização. Nada está de parte em termos de cenários”.

Andebol voltará mais forte e unido

Bernardo Vasconcelos, presidente adjunto da Associação de Andebol da Madeira não tem dúvida que o andebol voltara mais forte e unido, mas a prioridade agora é a saúde pública. “Se todos ficarem em casa, não tenho dúvidas que o andebol e todo o desporto voltará mais depressa com as suas competições”, começou por adiantar, admitindo que o futuro, a curto prazo, ainda está indefinido.

“Temos tido contacto semanal com a Federação de Andebol de Portugal e todas as associações do país afim de analisarmos o final da época. É claro que ainda existe a expectativa de retomarmos a competição e conseguir acabar os campeonatos da Madeira. Mas como disse em primeiro lugar está a saúde de todos nós.

Vamos esperar pelo evoluir da pandemia, mas posso adiantar que muito dificilmente poderemos ter os campeões da Madeira nas fases nacionais dos diversos escalões”, concluiu. *com paulo vieira lopes