DIÁRIO reedita hoje 47 crónicas de Tolentino

dnoticias.pt disponiliza a série ‘Uma grande viagem começa por um só passo’

11 Out 2019 / 11:05 H.

O DIÁRIO reedita hoje, em formato digital, as 47 crónicas que deixaram saudades, assinadas pelo agora cardeal José Tolentino Mendonça.

O padre e poeta madeirense passou com frequência pelas nossas páginas, sobretudo entre Outubro de 2010 e Setembro de 2011, em crónicas semanais publicadas na revista ‘Mais’. ‘Uma grande viagem começa por um só passo’ foi o título da proposta assinada regularmente pelo talento das letras e da cultura, mesmo que, desde bem cedo, nos tempos do suplemento DN Jovem, deixasse claro: “Não quero ser escritor, quero ser feliz.” O certo é que é poeta, escritor e ensaísta, autor de mais de 20 livros desde ‘Os Dias Contados ‘ editados em 1990.

Tolentino Mendonça confidenciava-nos na altura que tinha ido buscar o título à sabedoria dos viajantes. Desse tempo, recordamos o propósito que levou à partilha de textos sobre a janela ou a arte de escutar, sobre a crença num Deus que dança e no anjo que nos resiste ou sobre o desafio: “guarda na tua alma um lugar para o hóspede que tu não esperas”. Desse tempo tão questionado sobra a paixão do velho marinheiro pelas viagens da vida.

“O caminho é uma das imagens mais simples e completas que conheço para descrever a vida. Num certo sentido todos somos astros que se deslocam, do dia para a noite, do nascente para o poente, do interior para o exterior ou vice-versa. Ora, uma das coisas que se aprende, de forma muito prática, numa viagem é o valor dos pequenos passos. São eles que nos conduzem ao longínquo destino que o coração deseja. O género crónica seduz-me pela liberdade que permite. Aparentemente posso falar de tudo: do livro que estou a ler e das consequências do Outono na árvore que avisto da janela; posso contar a última coisa que se debate ou arrancar do silêncio o brilho das coisas primeiras; posso apontar para o detalhe ou tomar a imensidão como narrativa... A crónica é, de todos os estilos jornalísticos, o que mais se aproxima da conversa.

Por isso aqui estou. E regresso assim à colaboração com o Diário de Notícias. Como acontece com as velhas amizades, o que se sente é que nada de importante se interrompeu, e continuamos com naturalidade o que há bocadinho estávamos a dizer. O que era?”, escreveu-nos há nove anos.

A escrita de Tolentino de Mendonça tem sido elogiada pela crítica e premiada por múltiplos júris. Dizem que tudo começou com o verso “No princípio era a ilha”, sob o título “A infância de Herberto Helder”.

Antes havia um berço: As histórias da avó materna que foram a sua primeira biblioteca. “Na minha vida há essa dívida que transporto para com a cultura popular e oral, a cultura não alfabetizada. A minha avó era uma contadora de histórias e era analfabeta. Em crianças juntávamo-nos todos ao redor dela a escutar as histórias intermináveis que desenrolava com arte, como quem desenrola um delicado fio. Não sei explicar o meu amor pelos livros sem falar desse momento fundador”, confidenciou-nos no ano passado.

Os leitores do DIÁRIO já se cruzaram em inúmeras ocasiões com as palavras sábias de quem tem o dom de tocar consciências e falar à alma. Agora têm oportunidade de revisitar essa escrita empolgante.

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