Crianças não ingerem fruta e legumes suficientes

28 Set 2018 / 02:00 H.

Três em cada quatro crianças portuguesas, entre os dois e os 10 anos, comem menos de cinco porções de fruta e legume diárias, não cumprindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo um estudo divulgado.

Realizado por investigadores da Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI), do Instituto de Saúde Ambiental e da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, o estudo observou diferenças entre os vários distritos e regiões relativamente à ingestão diária de fruta e legumes.

Bragança foi o distrito que apresentou a maior percentagem de crianças (96,7%) que não ingeriam a dose diária recomendada pela OMS, de ingerir pelo menos cinco peças de frutas e legumes, seguido da Guarda (91,9%), dos Açores (86,6%) e da Madeira (85,7%), adiantam os dados preliminares do estudo, que envolveu uma amostra de 12.764 alunos no ano lectivo 2017/2018.

A investigação também analisou os efeitos da sétima edição do projecto “Heróis da Fruta -- Lanche Escolar Saudável”, um programa gratuito de educação para a saúde, que promove o consumo de fruta na escola, nas alterações de hábitos alimentares dos alunos, tendo concluído que, globalmente, 41,9% das crianças aumentou o seu consumo diário de fruta após 12 semanas de participação no projecto.

A recolha de dados, através da aplicação de um questionário antes e depois das 12 semanas de intervenção do projecto, foi reportada pelos professores e conta com uma amostra global composta por 12.764 crianças, com idades entre os 2 e os 10 anos, de 626 escolas de todo o país.

“Em todos os distritos e regiões verificou-se um aumento do consumo diário de porções de fruta após a implementação do projecto, tendo sido o distrito de Portalegre a registar a maior subida com uma percentagem de aumento de 60,5%”, refere a APCOI.

Setúbal registou um aumento de 57,6%, Viana do Castelo de 56,4%), Viseu 46,9%, Porto 46,1%, Guarda 43,1%, Coimbra 41,5%, Faro 41,2%, Vila Real 39%, Lisboa 37,8%, Castelo Branco 37,6%), Aveiro 37,4%, Leiria 37,2%, Madeira 36,2%, Bragança 35,8%, Évora 35,6%, Açores 35,5%, Beja 33,9% e Santarém 29,8%.

Para o presidente e fundador da APCOI, Mário Silva, “estes números vêm comprovar a importância do projecto Heróis da Fruta enquanto ferramenta de educação para a saúde”.

“O sucesso desta fórmula vencedora” prende-se com a utilização de “personagens com que as crianças se identificam combinados com desafios diários” que “ajudam a transmitir as mensagens e os comportamentos-modelo”, com “recompensas capazes de manter os alunos e os professores motivados”, explicou Mário Silva no comunicado.

Neste ano lectivo, haverá prémios de participação para todas as crianças que serão enviados por correio para cada escola. Para se candidatarem aos prémios, basta inscreverem-se no site www.heroisdafruta.com.

Exemplo dos educadores
é a melhor solução

Uma nutricionista contactada pelo DIÁRIO abordou a situação descrita pelo estudo referindo os principais problemas que as crianças que não consomem frutas e legumes podem vir a ter. A baixa ingestão de fibras e vitaminas hidrossolúveis proveniente desses alimentos, fazem com que o sistema imunológico enfraqueça. Expondo assim essas crianças à graves problemas de saúde.

A nutricionista destaca que o papel dos pais, da família, dos educadores é importante para o desenvolvimento da criança. Se os pais tiverem como hábito depois do jantar comer uma fruta, comer sempre legumes e salada as refeições, à criança vai seguir os pais nesse comportamento, pois é típico nessas idades, adoptarem e imitarem os comportamentos dos adultos, especialmente dos pais.

Quanto a questão colocada, sobre o consumo em grandes quantidades de frutas e legumes, a mesma, refere que é raro a existência de um caso assim, mas diz não existir problema derivado ao consumo elevado, pois trata-se de alimentos saudáveis.

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