Concerto inédito para piano e pincéis leva às lágrimas o público do Folio

25 Set 2016 / 18:49 H.

    De um piano construído de propósito para o Folio- Festival Literário Internacional de Óbidos e de uma tela gigante instalada no Largo de Santiago nasceu hoje "utopia cromática", uma instalação inédita que arrancou lágrimas ao público.

    O concerto a seis mãos para piano e pincéis com que o Folio Ilustra (capítulo do Folio dedicado à ilustração) homenageou hoje a Utopia de Thomas More e a ilustradora Jutta Bauer teve como protagonistas o pianista Fernando Santos e os ilustradores Paulo Galindro (pincel- Soprano) e Marc Parchow (trincha-tenor).

    A performance, com apresentação única no Folio, durou mais de uma hora em que, ao som do piano, os dois ilustradores preencheram a tela e o próprio piano com ilustrações inspiradas pela música interpretada por Fernando Santos.

     O espetáculo, que será apresentado em exclusivo no festival, foi pensado para "despertar no público a corda sensível, ou seja, as emoções", disse à Agência Lusa a curadora do Ilustra, Mafalda Milhões.

    Um objetivo que se foi cumprindo em crescendo ao longo da performance em que Fernando Santos interpretou ao piano músicas de sua autoria e que culminou com muitos dos presentes em lágrimas, quando no final se juntou ao trio Coral Publia Hortênsia, cantando "Abre todas as portas ao vento", com letra e música do mesmo pianista.

    A performance, que parte do conceito de que "cor e som são ambos tipos de vibração", pretendia ainda homenagear "a utopia de Thomas More e a obra de Jutta Bauer", cuja obra, acrescentou Mafalda Milhões, "trabalha muito as emoções".

    Jutta Bauer, a ilustradora alemã vencedora do Prémio Hans Christian (2010), considerado o Nobel da Literatura Infantil, é este ano a convidada especial da PIM, mostra de ilustração que reúne 22 ilustradores de vários países do mundo.

    A autora, uma das mais traduzidas premiadas, cuja obra revolucionou a literatura para a infância, conversou esta tarde com o público do Folio, num encontro em que explicou o processo criativo que resultou numa das suas mais conhecidas obras, "A rainha das cores". 

    "Para mim é verdadeiramente um milagre que esta pequena obra tenha feito um percurso que nunca imaginei com traduções em países como a China ou os Estados Unidos", afirmou a autora lembrando que este último foi o país onde "foi mais censurado", com a personagem de banda desenhada a ser considerada "muito despida".

    Em Portugal o livro tem a chancela da editora Bichinho do Conto e está à venda na Galeria do Pelourinho, em Óbidos, onde a autora promoveu hoje uma sessão de autógrafos, durante a qual, a par com a assinatura, desenhou uma pequena ilustração em cada livro.

    Organizado em cinco capítulos: Folia, Folio Autores, Folio Educa, Folio Ilustra e Folio Paralelo, o programa do Folio conta com cerca de 250 eventos, entre mesas de autor com escritores de todo o mundo, exposições aulas, conversas, palestras, concertos, instalações, leituras, performances e remédios literários.

    O festival, que decorre até ao dia 2 de outubro, celebra os 500 anos da 'Utopia' de Thomas More, o Ano Internacional do Entendimento Global, o centenário do nascimento de Vergílio Ferreira, os 500 anos da morte do pintor Hieronymus Bosch e os 400 da morte dos clássicos William Shakespeare e Miguel de Cervantes. 

     

    Lusa