Gonzalez recusa coligação mas aceita Governo minoritário do PP

07 Jul 2016 / 10:52 H.

    O líder histórico do PSOE e ex-presidente do Governo espanhol, Felipe Gonzalez, pediu hoje aos socialistas que recusem uma grande coligação, mas que aceitem negociar com o partido mais votado, o PP, e que não sejam um obstáculo à formação do novo Governo.

    "O Partido Socialista deve aceitar o diálogo que lhe oferece o candidato do PP, deixando claro que não tenciona fazer parte de uma coligação. E as forças políticas que não podem formar Governo não devem ser um obstáculo à sua constituição", afirma Gonzalez, num artigo de opinião publicado no El País.

    A dois dias da reunião do Comité Federal do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) em que será decidida a estratégia para a investidura do próximo Governo, o ex-presidente socialista defende a necessidade de formação de um novo executivo antes do fim de julho ou início de agosto.

    Felipe Gonzalez afirma que o PSOE "deve ocupar o seu lugar e ser uma oposição responsável" e também reconstruir o seu próprio projeto como alternativa, com vocação de maioria.

    O secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, iniciou esta semana uma série de reuniões bilaterais, com cada um dos dirigentes regionais do partido, que culminam no sábado com uma reunião do Comité Federal que irá definir a estratégia pós-eleitoral de formação do Governo.

    O PSOE, que ficou em segundo lugar nas eleições de 26 de junho, tem recusado a possibilidade de uma coligação com o PP (Partido Popular, de direita), o mais votado, mas sem maioria absoluta, e tem defendido que se deve assumir como o maior partido da oposição parlamentar.

    Pedro Sánchez ainda não se pronunciou em público desde a noite eleitoral, quando admitiu estar insatisfeito com os 85 lugares obtidos pelo PSOE, menos cinco do que nas eleições anteriores, em dezembro de 2015, o pior resultado do partido durante o atual regime democrático.

    Por seu lado, Mariano Rajoy (atual presidente de gestão e líder do PP), pretende falar com todos os partidos, tendo começado por se reunir com os mais pequenos e aguarda a definição de posição do PSOE para se reunir com Pedro Sánchez, o que só deverá acontecer na próxima semana.

    Depois de ter ganhado as eleições com maioria relativa (137 em 350 deputados) Mariano Rajoy indicou, no início da semana passada, que iria tentar formar um Governo estável e "para quatro anos", sem, no entanto, afastar a possibilidade de governar em minoria e "com pactos pontuais".

    O presidente do Governo de gestão deu na altura a sua preferência por um Governo "com sólido apoio governamental".

    O PP foi o partido mais votado nas eleições de 26 de junho, com 137 deputados, mais 14 que nas legislativas de dezembro, mas longe dos 176 mandatos que dão a maioria absoluta no congresso espanhol.

    O PSOE ficou em segundo lugar, com 85 assentos (90 em dezembro), enquanto a aliança de esquerda Unidos Podemos, que as sondagens colocavam em segundo lugar, ficou em terceiro e elegeu 71 deputados, com o Ciudadanos a conseguir 32 assentos.

    Os membros das novas Cortes espanholas (Congresso de Deputados e Senado) tomam posse a 19 de julho.

    Poucos dias depois da constituição das duas câmaras, mas sem prazo definido, o rei de Espanha, Filipe VI, iniciará as consultas com os partidos para, em seguida, fazer uma proposta de candidato a assumir a presidência do Governo.

     

     

    Lusa