Barragens, poluição aquática e pesca excessiva ameaçam peixes migradores

29 Jun 2016 / 04:04 H.

As barragens, a poluição aquática e a pesca excessiva são as principais ameaças às espécies de peixes migradores, indicou à Lusa Pedro Morais, investigador do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) da Universidade do Porto.

De acordo com o investigador, esses perigos colocam em causa a viabilidade de algumas populações de peixes migradores, como os peixes oceanódromos - que ao longo da sua vida migram entre diferentes regiões costeiras ou oceânicas -, afetados, principalmente, pela pesca excessiva.

Já os peixes potádromos, que vivem só em água doce, e os peixes diádromos, que migram entre o mar e um rio ou estuário, têm que lidar com os problemas inerentes à poluição aquática e à existência de barragens que impedem o acesso a locais de desova ou de alimentação.

Segundo o investigador, a diadromia (migrações ocorridas entre gradientes de salinidade) inclui três estratégias distintas, como por exemplo, alguns peixes anádromos, que nascem em rios e migram para o mar para crescer, podem voltar ao rio onde nasceram para se reproduzirem.

O estudo das pistas que seguem para regressarem ao local de nascimento "tem fascinado os investigadores ao longo do último século".

"Se por um lado a poluição aquática dificulta a deteção de marcadores químicos naturais que guiariam os peixes até esses locais, por outro lado as barragens impedem que a grande maioria dos peixes consiga depois aceder a estes mesmos locais", indicou.

Para Pedro Morais, seguindo essa linha de raciocínio, "a produção de energia hidroeléctrica nunca deveria ser apelidada de "energia amiga do ambiente"".

Estes são alguns dos tópicos abordados no livro "An Introduction to Fish Migration", que apresenta, num único volume, todos os tipos de estratégias migratórias exibidas por peixes migradores e como podem ser estudadas, segundo o investigador.

O livro está organizado como se fosse um "manual de espionagem sobre peixes", onde podem ser encontrados números e factos sobre esta linha de investigação, uma compilação dos conhecimentos sobre cada uma das estratégias de migração e as técnicas utilizadas para inferir essas estratégias.

Escrito e editado em parceria com Françoise Daverat do Instituto IRSTEA, de França, e encomendado pela editora CRC Press, conta com a colaboração de 22 investigadores associados a instituições no Japão, nos Estados Unidos, na Nova Zelândia, em Portugal, na França e na República Checa.

Para Pedro Morais, a importância da obra prende-se, principalmente, na obrigação de proteger a biodiversidade aquática, neste caso em concreto os peixes migradores, através do seu estudo e divulgação. "Só protegemos o que conhecemos", acrescentou.

 

LUSA

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