Governo catalão quer referendo independência, Rajoy contrapõe unidade de Espanha

21 Abr 2016 / 03:38 H.

O presidente da Generalitat (governo da Catalunha), Carles Puigdemont, reclamou hoje ao executivo de Madrid a organização de um referendo sobre a independência catalã, ao que Mariano Rajoy contrapôs a defesa da unidade de Espanha.

Puigdemont entregou a Rajoy um documento com una série de reclamações, entre as quais que se deixe a Catalunha realizar uma consulta sobre a independência e que o objetivo do défice para este ano seja de 1,07%.

Fontes da Generalitat adiantaram que Puigdemont entregou a documentação a Rajoy hoje à tarde, na reunião que tiveram no Palácio da Moncloa durante mais de duas horas.

O chefe do governo espanhol sublinhou, depois do encontro com Puigdemont, que vai manter a defesa da unidade de Espanha perante as aspirações independentistas.

As pretensões catalãs entregues a Rajoy desmultiplicam-se por 46 pontos, entre os quais 28 que a Generalitat considera "incumprimentos do Estado com a Catalunha, invasão de competências e interferências na ação do Governo".

Queixas sobre a "judicialização" da política, pela "perseguição contra as autarquias catalãs" alegadamente feita pela delegação do governo de Madrid na Catalunha, a revisão do financiamento desta autonomia ou a reivindicação de 842 milhões de euros, que a Generalitat deixou de receber devido à contestação do governo central a normas autonómicas são algumas das pretensões apresentadas.

As dificuldades do ensino em catalão, um investimento do Estado na região muito abaixo do real peso da Catalunha na economia de Espanha, que privou a região de milhares de milhões de euros e prejudicou a qualidade dos serviços públicos, a gestão de portos e aeroportos ou o plano hidrológico do Ebro foram outros dos assuntos apresentados.

Os designados "direitos sociais" motivaram 11 dos pontos do documento, como a pobreza energética, que inclui ainda a chegada de refugiados, a redução do financiamento das políticas sociais pela administração central, "o défice estrutural de financiamento do sistema público de saúde", o corte em 56% dos fundos para políticas ativas de emprego e a diminuição da ajuda a pessoas portadoras de deficiência.
 

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