Entidades de apoio aos refugiados dizem que é necessário combater preconceitos

22 Fev 2016 / 22:01 H.

Várias entidades ligadas às migrações defenderam hoje a necessidade de se combater os preconceitos em torno do acolhimento de refugiados na Europa e de auxiliar os países que sofrem com as maiores vagas, nomeadamente o Líbano.

O tema das migrações, refugiados, direitos humanos e questões securitárias esteve hoje em discussão em Loures, numa mesa redonda que juntou representantes do Alto-comissariado para as Migrações, da Plataforma de Apoio aos Refugiados e do Conselho Português para a Paz e Cooperação.

Uma opinião consensual de todos os oradores foi de que a maioria dos países da União Europeia não está a conseguir lidar da melhor maneira com esta situação e de que é necessário "passar a mensagem de que os refugiados não são terroristas".

"Qualquer um de nós, nesta sala, pode vir a ser um refugiado. Eles não fogem dos seus países por opção. Felizmente Portugal tem sido exemplar nesta matéria, mas outros países não têm demonstrado esse empenho", afirmou o coordenador da Plataforma de Apoio aos Refugiados, Rui Marques.

Na sua intervenção, o responsável teceu duras críticas à atuação da União Europeia, lamentando o facto de se "preferir apoiar a Turquia, porque é uma das portas da Europa", do que o Líbano, que é o país que está a sofrer mais com a vaga de refugiados.

"Era o Líbano que devíamos estar a ajudar. Mais cedo ou mais tarde vai colapsar. Só quando o Líbano entrar novamente em guerra é que nos vamos preocupar", alertou.

Já a presidente do Conselho Português para os Refugiados, Teresa Tito de Morais, destacou o facto de o acolhimento destes migrantes ser benéfico tanto para eles como para Portugal.

"Sempre que Portugal mostrou abertura para receber pessoas de fora foram momentos chave para a revitalização da nossa economia. Do mesmo modo esperamos poder proporcionar a estas pessoas ferramentas que lhes permitam que ao regressarem aos seus países possam ser motores da sua própria economia", sublinhou.

Contudo, a responsável diz entender os receios de muitos portugueses relativamente aos refugiados: "Há receios legítimos mas temos de os combater. A ideia não é eles [refugiados] entrarem e depois seja o que Deus quiser. São extremamente controlados", apontou.

Por seu turno, o vice presidente do Conselho Português para a Paz e Cooperação, Filipe Ferreira, referiu que "a Europa é uma das grandes culpadas" por esta vaga de refugiados, dada a sua "postura de ingerência e agressão".

"Ainda há pouco tempo Portugal recebeu um dos maiores exercícios de sempre da NATO. É preciso, de uma vez por todas, acabar com as políticas de agressão. Acabar com a destabilização e contra a contra informação", defendeu.

Neste debate participou também o jornalista José Goulão, que destacou o papel que a comunicação social deveria ter na cobertura destas temáticas.

 

LUSA