Padre Frederico: “Não penso regressar, mas podia voltar e rezar missa”

Frederico Cunha insiste que é pároco da diocese do Funchal e que é inocente. Deu entrevista ao Correio da Manhã na sua casa de Copacabana

13 Fev 2016 / 16:57 H.

Frederico Cunha volta a ser notícia em Portugal. Nos últimos meses o caso do sacerdote brasileiro regressou aos jornais nacionais e hoje há mesmo declarações suas publicadas no Correio da Manhã. Esta noite, o padre fala de viva voz no canal CMTV, o canal de televisão associado ao jornal com o mesmo nome.
De acordo com a edição impressa, a entrevista foi feita na casa em que vive com a mãe no Brasil, alegadamente um apartamento de luxo em Copacabana, zona nobre do Rio de Janeiro. Os excertos publicados hoje revelam que Frederico continua confiante que até podia regressar à Madeira, mas diz que não o vai fazer.
“Sou pároco da diocese do Funchal. Não penso regressar, mas podia voltar e rezar missa”, afirma Frederico num texto assinado por Tânia Laranjo.
Na mesma entrevista, o padre que há 24 anos dominou a actualidade informativa nacional quando foi julgado pela morte do jovem Luís Miguel, encontrado no fundo de uma escarpa, no Caniçal, continua a dizer que é inocente. E acusa a justiça portuguesa: “Fui condenado por três motivos. Porque era padre, porque era brasileiro e porque suspeitavam de que eu era homossexual”.
Revela ainda que o julgamento, muito mediatizado e que o condenou a 13 anos de prisão “foi uma farsa. E o procurador um farsante”. Acrescenta que o ”julgamento foi um ataque à intimidade e privacidade” e que o difamaram sem provas. Ainda hoje estranha a razão por que diz terem sido valorizadas apenas as testemunhas que o acusavam. “Quem me defendia foi acusado de estar a mentir”, garante.
Sobre a morte do jovem madeirense, na altura com 15 anos, o padre brasileiro recorda também que nunca foram cabalmente apuradas as razões. “Pode ter sido um acidente, não sei.”
De acordo com o Correio da Manhã, Frederico fala sobre a homossexualidade mas rejeita que tenha molestado crianças. “Ter tendências homossexuais não é pecado, nem sequer para a Igreja. Só são pecados actos homossexuais. E eu nunca tive qualquer comportamento menos próprio com crianças”, afirma.
Sobre a morte de Luís Miguel, é igualmente peremptório: “Não matei aquele rapaz, nem o conhecia”.
A fuga para o Brasil também é explicada na primeira pessoa nas declarações ao jornal português. Diz Frederico Cunha que não fez nada que o sistema não permitisse. Recorda que aproveitou uma saída precária da cadeia de Vale dos Judeus e que contou com a ajuda da mãe na questão do passaporte. “Eles pensavam que eu não tinha passaporte. A minha mãe foi pedir outro ao consulado e depois aluguei um carro. Fui até Espanha, apanhei o avião e voltei para o Brasil”, conta. “Não fugi, abriram a porta e eu regressei”.
Se fosse hoje, Frederico voltaria a fazer o mesmo, confessa. “Ficar na cadeia era aceitar que tinha cometido aquele crime”.
Frederico Cunha diz que mantém o hábito de celebrar missa ao domingo, mas em casa e para mãe, de 95 anos. Garante que tem autorização do bispo do Brasil.
Sobre este caso, ainda recentemente a Diocese do Funchal foi convidada a comentar, mas recusou fazê-lo. O silêncio tem sido a regra seguida ao longo de muitos anos.

Foto CMTV