As autoridades sanitárias angolanas necessitam de cerca de 12 milhões de euros para combater a epidemia de febre amarela, que se regista em Luanda desde finais de dezembro e somou já 99 casos, 26 dos quais confirmados, com oito mortes.
Os dados foram avançados hoje numa reunião organizada pelo Governo da Província de Luanda para apresentação do Plano Estratégico de Controlo do Surto de Febre Amarela na capital angolana.
Na reunião, que contou também com a presença do ministro da Saúde de Angola, José Van-Dúnem, foi reiterada a necessidade de intensificação das medidas para o combate da doença, nomeadamente a melhoria do saneamento básico, o controlo do vetor de transmissão nos domicílios e comunidades.
Na sua intervenção, o governador da província de Luanda, Higino Carneiro, disse que os programas de pulverização dentro das residências e nas ruas, anteriormente sob direção do governo provincial, há muito deixaram de funcionar.
"Os programas passaram para a responsabilidade dos municípios e ao que parece isso não está a ser observado, executado. Deixou-se de fazer a fumigação, a eliminação de charcos e agora confrontados com o problema do lixo, tudo isso são elementos que criam condições propícias para que o mosquito atue", disse Higino Carneiro.
Em declarações à imprensa, o ministro da Saúde disse que a indisponibilidade financeira fez com que as administrações municipais, há 11 meses sem pagamento, interrompessem o programa de pulverização.
"As administrações municipais foram fazendo a pulverização enquanto tiveram recursos para o efeito, não têm recursos por essa razão deixou de fazer a pulverização, e deixaram também que as equipas de luta anti-vetorial diminuíssem a sua intervenção por não terem recursos financeiros para manterem as equipas em funcionamento", frisou.
O governante angolano sublinhou ainda que caso não haja intervenção intensa para a redução da população de mosquitos espera-se que 2016 seja "um ano muito mau" do ponto de vista da malária e da febre amarela, se não for estancada a epidemia.
Higino Carneiro apelou às entidades públicas e privadas o apoio ao governo da província no sentido de adquirir meios para o combate e tratamento da doença.
"Por força disso vamos ter necessidade de recursos financeiros, mas temos vindo já a falar com o Ministério das Finanças para ver se abre os cordões à bolsa de maneira que tenhamos alguma coisa que permita adquirir os meios e sobretudo o material gastável para fazer face a este compromisso", salientou.
Para o combate à epidemia de febre amarela foi apresentado o orçamento provisório de 2.021.525.795 de kwanzas (11,9 milhões de euros), para a aquisição de vacinas e material, custo operacional das atividades e a capacitação e preparação do pessoal envolvido.
A capital angolana enfrenta o surto de febre amarela desde o dia 30 de dezembro de 2015, com a ocorrência de seis casos, que resultaram em quatro mortos, caracterizados por síndrome febril, icterícia e hemorragia.
Os primeiros casos foram registados em indivíduos do com idades entre os 22 e 34 anos, de nacionalidade eritreia, residentes aproximadamente há oito meses no município de Viana.










